Disputa pela água mobiliza países do Oriente Médio

Parceria entre Jordânia e Israel compartilha recursos hídricos do Rio Jordão

Raymond Dwek

The Guardian

Reprodução
Arábia Saudita

Moradores da Arábia Saudita retiram água de poço artesiano

OXFORD, GRÃ-BRETANHA - Água limpa é um bem com que se conta como certono mundo desenvolvido. Mas para grande parte da população na África, Ásia e Oriente Médio, a água - ou, mais precisamente, a falta dela - define a vida das pessoas. Quer sejam forçadas a ganhar duramente a vida com agricultura de subsistência ou a cozinhar e tomar banho com água suja, os resultados são os mesmos: pobreza e doença, penúria e guerra.

Para além das manchetes do conflito do Oriente Médio, há uma batalha pelo controle dos limitados recursos hídricos na região. Embora a disputa entre Israel e seus vizinhos se concentre no modelo terra por paz, ''há uma realidade histórica de guerras pela água'' - tensões sobre as fontes do Rio Jordão, localizadas nas Colinas de Golã, precederam a Guerra dos Seis Dias.

Grande parte da atual disputa de terras na Cisjordânia envolve o controle final dos aqüíferos naturais subterrâneos. Ao mesmo tempo, o uso excessivo e a poluição têm reduzido significativamente a qualidade e quantidade desses recursos limitados - só aumentando a possibilidade de futuros conflitos.

A única exceção à regra é o acordo de paz entre Jordânia e Israel. O tratado de paz inclui amplos ajustes para compartilhar os recursos hídricos e um programa para preservar e melhorar a qualidade da água existente do Jordão e de seus afluentes. Inclui também um plano abrangente para a criação de centros compartilhados de dessalinização. O tratado criou um paradigma de coexistência e conciliação que terá de ser amplamente copiado, se Israel e seus outros vizinhos quiserem chegar a acordos negociados.

Atualmente, sob patrocínio da Usaid (agência do governo americano para desenvolvimento), um grupo de pesquisadores israelenses está trabalhando juntamente com hidrólogos e engenheiros hidráulicos palestinos e jordanianos para controlar e melhorar a qualidade da água do Rio Jordão.

O simbolismo desse projeto não pode ser subestimado. Este é o tipo do esforço científico que constrói pontes para a paz. É o único meio de criar compromisso para proteger e promover responsabilidade conjunta por água mais limpa que, em última análise, vai beneficiar todos os habitantes da região.

Este é apenas um dos muitos projetos de que tive conhecimento por intermédio de minha filiação à Universidade Ben Gurion do Neguev. Localizada em Beersheva, no coração do Deserto do Neguev, a universidade tem mais de 30 anos de experiência de agricultura em terra árida e manejo de recursos hídricos - incluindo programas de recuperação, reciclagem e dessalinização.

O nome Beersheva pode ser traduzido de muitas maneiras, mas uma delas significa ''sete poços'' em hebraico. A cidade e sua água desempenham papel central no Livro do Gênesis, pois foi ali que Abraão estabeleceu seus rebanhos e família e gerou os filhos Ismael e Isaac.

Da mesma forma, o novo Instituto de Ciências e Tecnologia da Água envolve pesquisadores de vários departamentos da universidade. Juntos, eles trabalham para melhorar recursos aquáticos de qualidade inferior.

Os projetos incluem pesquisa nas fontes de salinidade em água na Faixa de Gaza e manejo de outros recursos hídricos além-fronteiras, como os aqüíferos costeiros e de montanhas, compartilhados por Israel e seus vizinhos.

Um dos objetivos do instituto é promover métodos mais eficientes de dessalinização da água que aumentaria muito a disponibilidade de água limpa na região, sem exaurir ainda mais as fontes existentes de água. Existem tecnologias de baixo custo, mas sem maciços investimentos internacionais em infra-estrutura para construir usinas de dessalinização em toda a região, a solução para a atual escassez de água virá muito lentamente.

[24/NOV/2002]

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