MOSCOU -
O presidente russo, Vladimir Putin, passou toda a madrugada de ontem em silêncio em seu gabinete estudando as opções a tomar diante da maior ameaça à sua autoridade desde que chegou ao poder, há três anos. Assim como os rebeldes chechenos, Putin só tinha duas saídas. Uma pior que a outra.
A primeira era aceitar a exigência dos guerrilheiros e ordenar a retirada do Exército russo da região separatista, uma rendição do estado de direito ante o terrorismo.
A segunda era enfrentá-los e assumir a tragédia potencial no caso de o comando cumprir sua ameaça de explodir o teatro.
À medida que as horas passam, surge o espectro daquilo que aconteceu em relação ao naufrágio do submarino nuclear Kursk há dois anos que custou muito caro a Putin. Em agosto de 2000, ele manteve suas férias no Mar Negro enquanto os 118 tripulantes do submarino morriam.
Mas quando o presidente falou ontem foi para rechaçar o ultimado e denunciar que o ataque foi planejado no exterior. Em suas primeiras palavras, Putin assegurou que as forças de ordem têm como ''primeiro objetivo'' a liberação dos reféns.
Dezessete horas depois do início do drama, o presidente acusou ''centros terroristas estrangeiros'' de planejar a ação. Putin referia-se indiretamente ao líder checheno Movladí Udúgov, que telefonou para rádios e TV para anunciar o ataque.
O presidente anulou uma viagem ao México para participar do Fórum Econômico Ásia-Pacífico (Apec).
- Não tenho direito de abandonar o país num momento tão difícil quanto este - disse Putin, mostrando ter aprendido a lição.