Refém é morta em Moscou

Duas jovens conseguiram fugir do teatro, onde chechenos mantêm exigências

Reprodução - AFP
suposto líder da ação

TV Al Jazeera mostrou suposto líder da ação

MOSCOU - A tomada de um teatro de Moscou por rebeldes chechenos completou 24 horas na noite de ontem com pelo menos uma morte. O grupo de cerca de 40 homens, incluindo mulheres mascaradas que têm explosivos presos ao corpo, atirou contra uma mulher que tentava fugir do prédio, localizado no Sudeste da capital russa.

Os rebeldes que exigem a retirada do Exército russo da Chechênia e ameaçam explodir o teatro caso não sejam acatados permitiram que a cardiologista Maria Shkolnikova deixasse momentaneamente o prédio para servir de porta-voz do grupo.

- Eles dizem: ''Vocês estão sentados aqui há dez horas e seu governo não fez nada para assegurar a sua libertação'' - informou a médica. - Eu imploro que vocês tomem uma decisão sensível e suspendam as ações militares na Chechênia. Já houve guerra suficiente.

A médica disse que os homens ameaçaram começar a atirar nas pessoas se as tropas russas não começarem a deixar o território checheno.

- Uma grande quantidade de explosivos está pelo chão, pelos corredores e cadeiras - disse Shkolnikova.

Segundo a polícia russa, a mulher morta pelos rebeldes, baleada no peito na madrugada de ontem, ainda não foi identificada, mas teria cerca de 20 anos.

Minutos antes do corpo da vítima ser retirado do teatro, duas jovens de 18 anos conseguiram fugir pulando de uma janela do segundo andar. As duas deixaram a área cercada sob o som de tiros e uma delas foi levemente ferida por uma granada.

Autoridades afirmam que há cerca de 60 estrangeiros entre os reféns. Segundo um porta-voz dos serviços secretos russo, há três americanos, sete alemães, dois holandeses, dois australianos, 23 ucranianos, três turcos, um canadense, três britânicos entre as vítimas do seqüestro.

O grupo teria pedido que as negociações sobre os reféns estrangeiros fossem realizadas por representantes da Cruz Vermelha e do Médico Sem Fronteiras.

Depois de libertarem cerca de 150 pessoas, entre eles crianças e muçulmanos, os rebeldes se negaram a autorizar a saída de outras três crianças e uma senhora britânica de aproximadamente 60 anos.

- Quando eu pedi para que eles libertassem mais pessoas, eles disseram que não deixariam ninguém mais sair - disse o parlamentar Iosif Kobzon, que participa das negociações.

A rede de TV pan-árabe Al Jazeera mostrou ontem imagens de pessoas identificadas como membros do comando suicida. Um dos homens, vestido de preto, assegurou que ''todos estão dispostos a morrer'' se Moscou não cumprir as exigências.

O Conselho de Segurança da ONU exigiu ontem que os rebeldes chechenos libertem os reféns, condenando ''nos termos mais fortes possíveis o ato abominável de captura em Moscou''.

- Nenhuma causa pode justificar o uso da força contra civis inocentes - declarou o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, num comunicado lido por seu porta-voz.

[25/OUT/2002]

   Home > internacional
Primeira Página