Brasil perde batalha sobre energia

Texto de acordo favorece usina nuclear

JOANESBURGO - O governo brasileiro perdeu a sua principal batalha na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável. Ontem à noite, após mais de 48 horas de atraso, os negociadores aprovaram um texto que possibilita a inclusão da energia nuclear - a fonte mais rejeitada pelos ambientalistas - entre aquelas que podem receber incentivos dos governos em seus programas de erradicação da miséria através do fornecimento de energia às populações sem acesso a eletricidade.

Uma brecha no texto do Plano de Ação para implementar a chamada Agenda 21 - um documento de princípios aprovado no Rio de Janeiro em 1992 - permite que as usinas nucleares recebam benefícios e subsídios de diferentes tipos. Apesar de potencialmente perigoso na geração e no armazenamento de resíduos, o uso de combustíveis nucleares como o urânio para gerar eletricidade não produz emissão de CO2, um dos gases listados entre os vilões do efeito estufa. Por isso, possibilita a este tipo de projeto desfrutar das vantagens do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, que faz parte do texto do Protocolo de Kyoto.

O Brasil defendeu, junto com os demais países da América Latina e do Caribe, que todas as nações tivessem pelo menos 10% de sua energia gerada por fontes renováveis até 2010. Mesmo a União Européia, que sugeria a extensão do prazo até 2015 e a inclusão de grandes hidrelétricas na proposta, foi derrotada pelo bloco de países composto por Estados Unidos, Estados árabes e o Japão. (C.T.)

[03/SET/2002]

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