Planeta está sob risco de sofrer colisão devastadora em fevereiro de 2019, segundo a Nasa
LONDRES -
Um asteróide de dois quilômetros de diâmetro está vindo em direção à Terra, convertendo-se assim na maior ameaça já registrada envolvendo um objeto que se aproxima do planeta. O asteróide - chamado 2002 NT7 - foi descoberto há apenas três semanas, mas já se calculou que a colisão ocorreria em 1º de fevereiro de 2019, segundo a Nasa, agência espacial americana.
Trata-se do primeiro asteróide a ganhar um valor positivo na escala Palermo, da Nasa, que combina a urgência da ameaça com suas conseqüências potenciais. Todos os outros objetos espaciais conhecidos foram classificados com valores negativos.
Bennt Peiser, da Universidade John Moores, em Liverpool, disse que este ''é o objeto mais ameaçador'' na curta história da detecção de asteróides. Gerrit Verschuur, astrofísico do Rhodes College, em Memphis, EUA, disse que o impacto criaria uma bola de fogo tão intensa que mataria qualquer um que pudesse vê-la. Depois, o material espalhado pela atmosfera cairia como uma chuva, também de de fogo, por metade do mundo. ''É como se o próprio céu estivesse em chamas''.
O calor provocaria incêndios em florestas e cidades e, em seguida, uma densa poeira tomaria conta da atmosfera, bloqueando a luz do sol por um mês - o que levaria à morte de plantas e animais. Apenas as criaturas que vivem debaixo da terra têm grandes chances de sobreviver.
Mas ainda há dúvidas sobre a órbita do asteróide. Andrew Coates, do Laboratório de Ciência Espacial Mullard, em Londres, disse: ''É provável que não nos atinja, mas é o objeto de maior risco que se conhece até o momento''. Donald Yeomans, da Nasa, disse que a previsão da órbita tem uma margem de erro grande.
O professor David Hughes, do Departamento de Astronomia da Universidade de Sheffield, argumentou que o asteróide só foi descoberto há três semanas, mas que sua órbita requer três anos para ser percorrida. ''A grande questão é: o que será feito caso se constate que o asteróide vai colidir com a Terra? Deve-se tentar destruí-lo? Desviá-lo? Descobrir a melhor forma de lidar com o problema pode levar uma década.''
Diversos astrônomos vêm pedindo que os países ricos dediquem mais dinheiro aos estudos sobre as formas de desviar asteróides. Em 1908, um cometa de cerca de 70 metros de diâmetro atingiu uma área na Sibéria, com uma força de uma bomba atômica de 12 megatons. Caso tivesse entrado na atmosfera quatro horas antes, teria caído em Londres. Tais impactos ocorrem em média uma vez a cada século, dizem os astrônomos.
Para prevenir um impacto, seria necessário lançar um foguete enquanto o asteróide ainda estivesse a uma distância considerável da Terra. O choque o desviaria ou mesmo o partiria em vários pedaços. Também seria possível usar uma arma nuclear para desintegrá-lo. Mas tudo isto requer anos de planejamento e que se saiba com precisão a trajetória do objeto.
O asteróide é um dos 450 objetos conhecidos que ameaçam a Terra, porque suas órbitas elípticas - que podem levar décadas para serem percorridas completamente - cortam a órbita do planeta. Recentemente, um asteróide passou relativamente perto da Terra, mas não chegou a representar um risco.