BRASÍLIA -
O diretor-geral da Organização contra Proibição de Armas Químicas (Opaq), José Maurício Bustani, reconheceu que não comandará mais a entidade a partir deste domingo. Em entrevista concedida ao
Jornal do Brasil ontem, Bustani admitiu que os Estados Unidos conseguiram reunir o apoio necessário para destituí-lo. A permanência do embaixador brasileiro no cargo será objeto de votação em convenção extraordinária da Opaq convocada por Washington e marcada para o dia 21.
Para convocar a convenção, os americanos conseguiram reunir 48 votos. Entre eles, os dos países-membros União Européia - exceto a França - do Japão, e de quase toda a América Latina. Dezoito países se abstiveram. Apenas Brasil, Cuba, Rússia, China e Irã se manifestaram contra a assembléia. A Opaq reúne 145 membros, com direito a um voto cada na convenção. Mas Bustani perdeu as esperanças. Sua saída requer dois terços dos votos dos países presentes à reunião. '' Mas só serão computados os votos válidos. Abstenções não contam.''
Apoio - O embaixador brasileiro não quis comentar as declarações do ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, que o acusou de ter sido ''pouco diplomático'' no enfrentamento com os EUA. Também não quis avaliar se recebeu apoio do Itamaraty. ''O ministro já foi eloqüente o suficiente sobre isso. A posição do Brasil é clara'', afirmou. Ele disse estar pronto para se reapresentar ao Itamaraty. ''Não há constrangimento. O presidente Fernando Henrique sempre me deu total apoio.''
O empenho americano em derrubar Bustani foi classificado pelo jornal britânico The Guardian como ''golpe internacional''. Os EUA justificam sua atitude argumentando que a administração de Bustani carece de competência. No entanto, diplomatas já confirmaram que o problema está relacionado com as tentativas do diretor da Opaq de enviar ao Iraque uma comissão de inspeção de armas não dominada pelos americanos. Para se livrar das sanções impostas após a Guerra do Golfo (1991), o Iraque tem de acabar com suas armas de destruição em massa.