Brasil apóia diplomata contra EUA

BRASÍLIA - O governo brasileiro defendeu ontem o diretor-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), o diplomata brasileiro José Maurício Bustani. O Brasil condenou o pedido de renúncia do diretor feito anteontem pelos Estados Unidos e pela União Européia, que acusam Bustani, entre outras coisas, de incompetência. Brasília afirma que o diplomata tem contribuído para o desarmamento no mundo e está agindo de acordo com as regras estabelecidas na Convenção Internacional sobre Armas Químicas.

Ontem, o embaixador Affonso Emílio de Alencastro Massot, representante do Brasil no Conselho Executivo da Opaq, fez discurso na organização em favor do brasileiro. Para o embaixador, a solicitação da renúncia do brasileiro é grave e ''afeta a credibilidade de um regime de segurança internacional''.

Desde 1997, quando Bustani assumiu o posto de diretor-geral, a Opaq reduziu em 7% o volume de agentes químicos e em 15% as armas químicas disponíveis, segundo o governo brasileiro. Também ampliou o número de Estados-membros filiados à entidade de 87 para os atuais 145.

Já os EUA e a UE condenam publicamente a gestão do diplomata. Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse que houve ''perda de confiança'' no diretor. ''Vimos má administração financeira, desmoralização do secretariado técnico e o que acreditamos serem iniciativas erradas'', criticou Richard Boucher.

O Brasil acredita que a decisão dos EUA é motivada pela intenção do governo americano de atacar o Iraque com armas químicas. Além disso, Bustani solicitou a inspeção de armamentos produzidos nos EUA, o que pode ter sido mal-interpretado. O Japão deu sinais de apoiar os EUA e a UE na questão. Outras potências como China, Rússia e Índia defenderam a gestão do brasileiro.

[20/MAR/2002]

   Home > internacional
Primeira Página