Reservistas são suspensos por Israel

Conscritos rebelados já passam de 170

PHIL REEVES

The Independent

JERUSALÉM - As forças armadas de Israel decidiram suspender 48 soldados reservistas de seus postos numa tentativa de controlar a maior revolta interna do Exército desde o início da nova Intifada palestina.

Os reservistas, grupo que inclui oficiais combatentes, assinaram um manifesto afirmando que se recusavam a servir em posições na Cisjordânia e na Faixa de Gaza por Israel estar ''dominando, expulsando e humilhando'' o povo palestino.

A petição, que até o início da semana somava 173 assinaturas, é a primeira grande fratura na opinião pública israelense em relação à conduta do governo durante os conflitos desde a eleição de Ariel Sharon como primeiro-ministro.

O Exército reagiu com desconforto e irritação à lista lançada pelo grupo chamado ''Coragem de resistir'', não só por usar amplamente os serviços de reservistas para a patrulha e a guarda dos assentamentos judeus em territórios ocupados pela Autoridade Nacional Palestina. Os participantes do movimento insistem que a resistência tem princípios e afirmam estar dispostos a defender Israel no interior das fronteiras estabelecidas antes de 1967.

Desabafo - Um dos signatários, o tenente Ishai Sagi, contou como, durante uma operação de duas semanas na Cisjordânia, recebeu ordens para abrir fogo contra palestinos que pegavam pedras para atirar contra os soldados israelenses. ''Não havia discriminação sobre se a vítima era uma criança, uma mulher ou um homem idoso'', disse ele. ''E não havia discriminação sobre onde balear a pessoa'', acrescentou.

''Não acredito que o que as Forças de Defesa de Israel fazem nos territórios ocupados contribua de qualquer forma para defender o próprio estado de Israel'', afirma Sagi. ''Tudo o que nos fazemos lá - todos os horrores, a destruição de casas, árvores, todos os bloqueios, tudo - só tem um objetivo: proteger os assentados, que a meu ver estão lá ilegalmente. Por isso, considero que as ordens que recebia eram ilegais e não vou obedecê-las novamente''.

[07/FEV/2002]

Home > internacional
Primeira Página