RIAD E DAMASCO -
Iniciando sua segunda viagem ao Oriente Médio em busca de apoio muçulmano à operação antiterrorista liderada pelos Estados Unidos, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, já passou por Síria e Arábia Saudita, onde se encontrou com os dirigente dos dois países e discutiu a ofensiva militar sobre o Afeganistão e o conflito entre palestinos e judeus.
Durante as horas em que esteve na Síria - que faz parte da lista de países que patrocinam o terrorismo emitida por Washington -, Blair insistiu na necessidade de fazer parar a violência no Oriente Médio. ''Nossa preocupação é botar um fim no terrorismo de todas as maneiras e atuar com o objetivo de estabelecer a paz na região'', disse Blair, acompanhado do presidente sírio, Bachar al-Assad.
O presidente da Síria, que apóia organizações libanesas e palestinas contrárias a Israel, destacou a importância de atacar as causas do terrorismo para que se possa combatê-lo com êxito, mas afirmou que ''a legítima luta dos povos contra a ocupação é diferente''. Assad reiterou a posição síria de considerar como um ''direito internacional'' a resistência na região. Com sede em Damasco, o braço armado da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) responsabilizou-se pelo assassinato do ministro do Turismo israelense, Rehavan Zeevi, no dia 17 de setembro, em Jerusalém.
''O povo palestino vive diariamente o terrorismo israelense e este também deve ser combatido. Solucionar o problema do Oriente Médio contribuirá em boa parte para combater o terrorismo'', acrescentou o líder sírio. ''Estou satisfeito com a condenação síria aos ataques suicidas de 11 de setembro, e é o terrorismo, e não o islamismo, o objetivo da campanha dirigida pelos Estados Unidos'', declarou Blair.
Sauditas - A segunda parada de Blair foi na Arábia Saudita - país natal de Osama Bin Laden e berço de sua rica família -, onde o primeiro-ministro anunciou que havia alcançado um acordo com o rei Fahd para atuar de maneira conjunta na formação de um governo de coalizão no Afeganistão após a esperada queda do regime talibã no país.
''Tive conversas sobre a necessidade de se estabelecer um governo tão amplo quanto o possível para a restruturação do Afeganistão, e concordamos que se deve fazer com que no futuro haja um governo que inclua os principais grupos afegãos'', disse Blair.
Perguntado pelos jornalistas sobre como o governo saudita pretende contribuir com a ofensiva militar, Blair disse: ''Os sauditas responderam a todos os pedidos que lhes foram feitos, e estamos agradecidos a eles. A Árábia Saudita participa da coalizão internacional contra o terrorismo'', destacou Blair, lembrando os laços econômicos entre a Grã-Bretanha e o país.