Quinta-feira, 1 de Novembro de 2001
EUA iniciam nova tática de ataque

Americanos intensificam bombardeio, usam aviões B-52 na ofensiva contra Cabul e matam 11 em ONG no Afeganistão

AFP
Afegãos

Afegãos observam carro do Crescente Vermelho após ataque

CABUL E ISLAMABAD - Aumentando o número de baixas civis, os Estados Unidos intensificaram a ofensiva contra o Afeganistão e usaram bombardeiros pesados B-52 pela primeira vez contra posições talibãs que protegem a capital, Cabul. O ataque seguiu a chamada tática de saturação, com muitas bombas lançadas ao mesmo tempo, e se insere na nova estratégia de enfraquecer a proteção talibã às cidades ameaçadas pelos avanços da Aliança do Norte. Além de Cabul, os EUA bombardearam também forças do regime afegão em Mazar-i-Sharif. No mesmo dia, em Kandahar, no Sul, bombas caíram sobre uma clínica do Crescente Vermelho, a versão da Cruz Vermelha para os países islâmicos, matando onze pessoas, segundo os talibãs. O regime diz que mais de 1.500 civis morreram desde o início dos bombardeios, em 7 de outubro.

''As bombas caíram por volta de 4h30'', disse o médico Obaidullah, do Crescente Vermelho. Escoltado por militantes talibãs, o médico falou a repórteres estrangeiros que estiveram em Kandahar, convidados a relatar a situação da cidade. ''Eles [os americanos]estão atingindo a população civil'', disse o morador Mohamed Hashim. ''Já atingiram alguma posição talibã?''.

No Norte, os EUA atacaram posições da linha de frente talibã que protege Cabul pela primeira vez com bombardeiros B-52, em vez dos caças leves F-16. Os ataques aéreos de ontem foram centrados em duas posições onde os opositores da Aliança do Norte dizem estar preparando iminentes ofensivas. Além de Cabul, os EUA bombardearam o Norte da província de Balj, provavelmente para abrir caminho para a Aliança em seu avanço sobre a cidade estratégica de Mazar-i-Sharif, próxima ao Uzbequistão.

Rotas - O general americano chefe da operação no Afeganistão, Tommy Franks, ressaltara, na terça-feira, a necessidade de se abrir um corredor do Uzbequistão até Mazar-i-Sharif. Da mesma forma, um comandante da Aliança declarou que a abertura de rotas até a cidade permitiria tomá-la das mãos do inimigo, o que deixaria o caminho até o Sul livre e cortaria ao meio o abastecimento das unidades talibãs no país.

Os ataques foram realizados após pedidos recentes de comandantes da Aliança para que os EUA bombardeassem as forças de defesa talibãs na cidade e na capital. A Aliança afirmou que pretende avançar sobre Cabul em quatro ou cinco dias, mesmo prometendo não entrar efetivamente na cidade. ''Todo dia os americanos estão bombardeando a linha de frente. Agora agora é a nossa vez de fazer algo'', disse Ahmad Ziah Massud, irmão do líder oposicionista Ahmad Shah Massud, assassinado pelos talibãs em 9 de setembro, dois dias antes dos atentados contra os EUA. ''Temos soldados suficientes'', disse em relação a um suposto envio de tropas americanas. Além disso, comandantes opositores disseram que serão capazes de tomar Mazar-i-Sharif em uma semana.

O jornal inglês The Independent informou que uma invasão aliada por terra está sendo planejada para o próximo ano, em meados do mês de maio. Citando fontes que participaram de uma reunião entre o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, e o da Grã-Bretanha, Geoff Hoon, o Independent diz que os aliados vão continuar o bombardeio durante o inverno enquanto preparam junto com a Aliança do Norte uma invasão por terra para o ano que vem.

Tropas - Em Washington, o democrata Tom Daschle, líder da maioria no Senado, declarou, depois de uma reunião com o presidente George Bush, que novas tropas podem ser enviadas à região. ''Esforços adicionais em terra poderiam ser necessários e, neste caso, estou certo que o presidente explicará ao Congresso por que isso é importante'', disse Daschle.

O Pentágono anunciou que o secretário de Defesa viajará, na sexta-feira, à Rússia, de onde seguirá para países da Ásia Central ainda não determinados. ''A razão principal dessa viagem é ir a Moscou para nos reunirmos com Seguei Ivanov (ministro da Defesa), com quem discutiremos o tratado de Mísseis Antibalísticos e novas formas de cooperação com a Rússia'', disse Victoria Clarke, porta-voz do Pentágono.

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