Quinta-feira, 27 de Setembro de 2001
Refugiados afegãos já são 2,1 milhões

Acnur pede US$ 252 milhões para ajuda humanitária aos civis que fogem das ameaças de ataques ao Afeganistão

ISLAMABAD - Depois das ameaças de um ataque americano no Afeganistão em represália aos atentados nos Estados Unidos, estima-se que o número de refugiados internos do país chegue a 2,1 milhões de pessoas, que buscam dentro do território uma região mais segura. ''A esperança de sobrevivência está se reduzindo tragicamente'', informou Stephanie Bunker, porta-voz do escritório da ONU para a Coordenação de Ajuda Humanitária ao Afeganistão, acrescentando que pelo menos 4 milhões de pessoas não deslocadas também irão precisar de ajuda.

O Programa Alimentício Mundial (PAM) pôde restabelecer a operação de envio de alimentos às regiões Norte do Afeganistão, afetadas pela seca, mas os riscos de uma crise de grandes proporções no país aumentaram com a invasão dos escritórios das organizações humanitárias nas principais cidades afegãs pelos talibãs, que também cortaram a comunicação dos centros de operações da ONU.

''Devemos estar preparados para o pior'', indicou Rudd Lubbers, do Alto Comissariado para os Refugiados da ONU (Acnur), que pediu ontem US$ 252 milhões aos países doadores para responder a uma emergência humanitária de grande escala no Afeganistão e em regiões próximas.

Assistência - O Acnur, que elabora um plano de ajuda básica a cerca de 500 mil pessoas em território afegão, está esperando a chegada de mais de 1,5 milhão de refugiados a países como o Paquistão - que recebe a maioria deles - Irã, Tajiquistão e Turcmênia. O organismo da ONU anunciou também que poderá deslocar 700 de seus funcionários internacionais para a região em crise. Estes delegados seriam distribuídos pelos países que se dispuseram a receber os refugiados.

''Estamos sendo testemunhas de um esforço globalizado sem precedentes para combater o terrorismo. Precisamos de um esforço único semelhante a este para controlar as possíveis conseqüências humanitárias do que acontecer ao Afeganistão e para isto contamos com a generosidade dos países doadores'', destacou Lubbers sobre as questões que envolvem a maior operação do Acnur desde a crise de Kosovo, em 1999, quando centenas de milhares de albaneses foram expulsos de suas casas pelas forças sérvias.

O pedido de ajuda já foi atendido pela Alemanha, que anunciou a liberação do equivalente a US$ 9,7 milhões. O ministro das Relações Exteriores alemão, Joschka Fischer, promove hoje em Berlim uma reunião urgente dos países doadores para agilizar o envio de fundos para as operações de socorro aos refugiados.

Omar - Em uma mensagem distribuída ontem pelo Ministério do Interior afegão, o líder talibã Mohamed Omar fez um apelo para que o povo do Afeganistão volte às suas casas, por considerar menor a probabilidade de um ataque americano em seu país.

''Os Estados Unidos não têm razão, justificativa ou provas para atacar... Logo, todos [os afegãos]que foram deslocados interna ou externamente receberão instrução para voltar para suas residências originais'', afirmou o líder da milícia que controla o país.

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