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Físicos criticam escudo
antimísseis americano
LONDRES -
O escudo antimísseis proposto pelo presidente americano, George W. Bush, ganhou mais alguns opositores além dos russos, chineses e parte dos europeus: os físicos. Numa estudo publicado na prestigiosa revista inglesa New Scientist, diversos especialistas afirmam que o sistema pode até conseguir abater mísseis em pleno vôo, mas advertem para o risco de as ogivas caírem sobre a Europa e o Canadá.
A explicação é relativamente simples: o sistema está sendo projetado para abater mísseis nucleares ainda na chamada boost phase, quando os propulsores ainda estão em plena atividade. Um míssil americano interceptaria o projétil inimigo, explodindo seus propulsores, mas a ogiva atômica - ainda ativada e capaz de explodir - poderia cair ''em qualquer ponto entre o lançamento e o impacto'', segundo Ted Postol, do Massachusetts Institute of Technology (MIT).
A boost phase demora em geral de quatro a seis minutos, nos quais o míssil é levado para fora da atmosfera da Terra. Depois disso, o combustível dos propulsores termina e a ogiva inicia sua descida em direção ao alvo. Os americanos preferem abater o projétil ainda com os propulsores ligados pois os sistemas de orientação localizam com mais facilidade um alvo que gere calor.
Danos - ''Um míssil lançado contra os EUA a partir da Coréia do Norte poderia explodir sobre o Alasca ou o Canadá, e um lançado do Iraque poderia atingir a Grã-Bretanha ou a Europa continental'', diz o físico. Postol afirma que existem tecnologias capazes de destruir a ogiva em si, eliminando qualquer risco, mas que o sistema proposto não se parece em nada com qualquer uma delas.
A probabilidade é que, caindo antes, o míssil provoque menos danos - e mortes - do que se alcançasse o alvo previsto. Este fato, por si só, já faria com que os países considerados terroristas pelos EUA desistissem de um ataque, segundo o físico Richard Garwin, um dos criadores da bomba de hidrogênio americana. A noção é questionada por outros cientistas entrevistados, contudo.
O problema, afinal, é político, ainda mais quando quem está na linha de tiro são os europeus, que já resistem à idéia do escudo. ''Se perguntarmos quantas pessoas serão mortas em média é muito melhor que o míssil caia antes'', diz George Lewis, outro físico do MIT. ''Mas certamente as pessoas que moram onde eles podem cair pensam de forma diferente.''
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