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O drama de 434
refugiados no mar
SIDNEY -
Um barco norueguês que socorreu 434 refugiados, na sua maioria afegãos, que estavam à deriva próximos à ilha de Christmas, no Noroeste da Austrália, não recebeu ontem autorização do governo australiano para entrar em suas águas territoriais, o que despertou mal-estar e críticas dos envolvidos nas discussões e negociações diplomáticas. Desde o anúncio dado pelo primeiro-ministro australiano de que eles não seriam aceitos, os homens, mulheres e crianças se recusam a receber medicamentos e alimentos.
Segundo pessoas a bordo do navio Tampa, os imigrantes ilegais sofrem de disenteria, fadiga, desidratação e estão com sarna. Sanitários foram improvisados e os cobertores existentes na embarcação - cuja capacidade ideal é de até 40 passageiros - foram dados às mulheres e crianças.
Críticas - ''Negar proteção aos que buscam por ela é contrário a nossas obrigações [internacionais]'', declarou Margaret Piper, líder do Conselho Independente de Refugiados da Austrália, criticando a decisão do premier John Howard, que alegou que o país já é visto de fácil acesso aos que buscam asilo. ''Isto é severo, inumano, e vai criar ressentimento em outros governos'', criticou o senador Bob Brown, do Partido Verde australiano.
O capitão do Tampa, Arne Rinnan, afirmou que os refugiados haviam ameaçado pular do barco se não fossem levados para a Austrália. Segundo ele, um grupo de cinco homens afegãos teria dito: ''Deixamos tudo para trás. A situação é muito ruim. Não queremos ir para Cingapura ou para a Indonésia. Não temos nada a perder''. Em entrevista a uma rádio australiana, Rinnan disse que navega a 12 milhas náuticas [cerca de 22 quilômetros]da ilha de Christmas. ''Estamos esperando. Todos nós esperamos o melhor'', declarou.
A cada ano a Austrália aceita cerca de cem mil imigrantes, através de programas oficiais, e outros 12 mil refugiados, dos quais cerca da metade entra no país ilegalmente.
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