Terça-feira, 31 de Julho de 2001
Justiça chilena envia carta com perguntas a Kissinger

Medida tenta esclarecer a morte de jornalista americano no início da ditadura

Evandro Teixeira
Henry Kissinger

Henry Kissinger: suspeita de prevaricação ante denúncias

SANTIAGO DO CHILE - A Suprema Corte do Chile enviou a seu similar dos Estados Unidos uma carta rogatória para que o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger responda a 30 perguntas feitas pelo juiz Juan Guzmán sobre o desaparecimento do cidadão americano Charles Horman nos primeiros dias da ditadura de Augusto Pinochet, em 1973.

Ao receber através dos canais diplomáticos o pedido, a Suprema Corte americana terá de encaminhar a um tribunal comum as perguntas sobre o que Kissinger e outros antigos altos funcionários americanos sabem sobre a morte de Horman, que se tornou famoso como personagem do filme Desaparecido (Missing), de Costa-Gavras.

O jornalista Charles Horman foi morto em setembro de 1973 quando investigava as atividades da CIA, o serviço secreto americano, contra o governo do socialista Salvador Allende, derrubado por Pinochet. Dias depois do golpe de Estado, foi detido em sua casa e levado para o Estádio Nacional do Chile, onde teria sido fuzilado. Sua família acusa Kissinger e funcionários da embaixada no Chile de nada terem feito para conseguir sua libertação.

Perguntas - As 30 perguntas a serem enviadas aos Estados Unidos tratam de questões relacionadas a documentos tornados públicos pelo Departamento de Estado americano sobre a investigação feita por organismos de segurança dos Estados Unidos, e que poderiam esclarecer a morte do jornalista. Entre as indagações é explorado, por exemplo, o conteúdo da correspondência trocada entre Kissinger e o embaixadores americanos no Chile nos três primeiros anos da ditadura de Augusto Pinochet.

Há duas semanas, a viúva de Charles Horman, Joyce, o jornalista Terry Simon - que acompanhou Horman em suas viagens pelo Chile pouco antes de sua morte - e outras três pessoas envolvidas nas investigações estiveram no Chile para prestar depoimento ao juiz Juan Guzmán. Ontem, os advogados de Joyce Horman, Fabiola Letelier e Sergio Cobalán, disseram que planejam viajar a Washington na próxima semana para acompanhar o trâmite do interrogatório a Kissinger.

Esta é a segunda vez que o ex-secretário de Estado americano é mencionado nas investigações de crimes cometidos durante a ditadura chilena. Em 28 de maio, o juiz francês Roger Le Loire quis interrogá-lo sobre o desaparecimento de cidadão franceses durante o regime, mas Kissinger negou-se a depor.

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