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García, o grande
ressuscitado
O candidato da Aliança Popular Revolucionária Americana (Apra), Alan García, é considerado uma ''milagrosa ressurreição política''. Eleito presidente em 1985 graças a seu charme e retórica, García conduziu o país apoiado no binômio carisma e populismo - com resultados devastadores. Foi responsável por um grave desastre econômico e acusado de liderar um regime corrupto, que causou a maior crise de desemprego da história do país.
Cinco anos depois de eleito, apoiou em 1990 o então obscuro agrônomo Alberto Fujimori. Dois anos depois era Fujimori quem ordenava sua prisão com o objetivo de liquidá-lo. Passou 10 anos no exílio e só voltou ao país no início do ano, depois da destituição de Fujimori e da revisão das normas que impediam sua entrada no Peru.
Casado com a argentina Pilar Nores, García estudou em escolas e universidades públicas peruanas antes de cursar sociologia na Universidade de Paris - quando cantava e tocava violão para se sustentar - e se doutorar em Direito pela Universidade Complutense de Madri.
O mesmo carisma e talento para a oratória que o levou à Assembléia Nacional Constituinte em 1978, para a Câmara de Deputados de Lima, em 1980, e para a presidência, cinco anos mais tarde, conseguiu em 2001 o que parecia impossível: apagar da memória dos peruanos o que fez enquanto estava no poder. Ciente de que o maior impedimento para o sucesso de hoje era o fracasso de ontem, pediu desculpas por seus erros e disse que aprendeu a lição. Da condição de azarão, no começo do ano, foi galgando as pesquisas até roubar o lugar que parecia destinado a Lourdes Flores no segundo turno. Resta saber se os golpes teatrais que funcionaram há 15 anos darão frutos nas urnas de hoje.
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