Domingo, 11 de Fevereiro de 2001
De chuteiras em Timor

Quando pensamos em ajuda humanitária, a primeira imagem que vem à cabeça é de médicos socorrendo feridos, campos de refugiados e guerra. Em Timor Leste, entretanto, um brasileiro contribui para o futuro da ilha de outra forma: o professor de educação física Ricardo Whitaker está ajudando os timorenses a formar sua seleção de futebol.

''Eles nem precisam de aula, jogam bem. A paixão por futebol é igual à brasileira'', diz ele, que está em Timor desde o início de janeiro. A porção Leste da ilha de Timor conseguiu a independência da Indonésia em 1999, provocando uma onda de massacres perpetrados por milícias ligadas a Jacarta. No segundo semestre haverá a primeira eleição desde a invasão de 1975 - e, espera-se, uma nova seleção.

O santista garante que até agora tem sido difícil treinar por causa da chuva que não pára de castigar a capital, Díli, desde que chegou, mas diz que na terça-feira começam as avaliações que vão determinar a escalação do time de juniors. ''Depois de tudo que aconteceu, o povo daqui se habituou a receber as coisas. Mas eu quero formar uma seleção profissional, como acontece na Europa. Várias montadoras de carros e multinacionais de telecomunicações estão aqui e podem patrocinar o time''.

Ricardo foi convidado pela administração transitória da ONU em Timor quando ainda dava aulas em um colégio em São Paulo. ''Não tive dúvida. Vendi carro, saí do emprego e vim''. Um dos problemas que atrapalham o meio-de-campo é a língua. ''A maioria da população fala tetun, que tem algumas palavras do português. Estou tendo que aprender rápido para poder gritar as instruções para o time da lateral do campo''.

''O futebol aqui tem uma função social muito forte. Eles são fanáticos. Quando dizia que era brasileiro, a primeira coisa que eles falavam era Ronaldo! Ronaldo!. Você vê um monte de camisas da seleção brasileira na rua'', conta. ''Agora que vamos entrar para a federação asiática de futebol, vai haver muitos jogos. Vai ser uma festa'', comemora. (D.M.)

Solidariedade além das fronteiras

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