Ouro sela a melhor campanha do Brasil nos Jogos e a hegemonia do vôlei verde-amarelo
ATENAS -
A vitória de 3 a 1 (25/15, 24/26, 25/20 e 25/22) de ontem sobre a Itália, que já havia sido superada na decisão da Liga Mundial este ano, tem a marca da segunda geração de ouro do vôlei do Brasil. Como na conquista de 1992, em Barcelona, que revelou uma safra de jogadores de talento, o time que desmontou os italianos em Atenas - venceu o rival também na fase de classificação - tem potencial para manter o vôlei brasileiro no topo do mundo por muitos anos. No lugar mais alto do pódio no Ginásio de Faliro, medalhas orgulhosamente exibidas, dois remanescentes da campanha de 92: Maurício e Giovane, que se despediram da Seleção como legítimos bicampeões olímpicos e desembarcam amanhã no Rio para ser recebidos pelo povo em passeata.
A vitória sobre a Itália foi conseguida com uma atuação irrepreensível. Própria de uma equipe que completou ontem uma incrível lista de títulos: ouro olímpico, campeão do Mundial da Argentina (2002), da Copa do Mundo (2003) e da Liga Mundial (2004). Já havia conquistado a Liga em 1993, 2001 e 2003. Com o ouro do vôlei, o Brasil alcançou sua melhor campanha na história das Olimpíadas.
- Esse é o valor dessa conquista. Torna os jogadores e o vôlei do Brasil mais respeitados ainda do que são no mundo - disse Bernardinho.
A caminhada definitiva para o ouro começou com um primeiro set surpreendentemente fácil para uma decisão olímpica. A equipe de Bernardinho esteve somente três vezes atrás do placar, de 2/3 a 2/5, mas se recuperou para ir, ponto a ponto, dizimando os italianos para chegar aos 25/15,
No segundo set, houve a derrota (24/26) que não deu para assustar. O time cometeu alguns erros, permitiu a reação dos empolgados italianos, mas via-se que tinha os nervos controlados para não se deixar abater. Tivesse André Nascimento mantido o nível de suas excelentes atuações na Olimpíada e certamente o Brasil superaria também esta parcial.
Os dois últimos sets reservaram para os torcedores brasileiros emoção e certeza de que a medalha de ouro viria. O time se impôs a uma Itália que fez de tudo, lutou, mas teve de se curvar à superioridade brasileira. Que se concretizou através das incríveis cortadas na ponta ou de onde tivesse necessidade com Giba, escolhido o melhor jogador da Olimpíada. Nas bolas de meio que caíram todas com Gustavo ou André Heller. Na categoria de Ricardinho, que Bernardinho define como o ''cérebro do time''.
Nas defesas espetaculares de Serginho, eleito o melhor líbero da Olimpíada e na entrada nos momentos providenciais de Anderson, que terminou o jogo chorando por se dizer vítima de injustiças anteriores.
O desfecho do ouro, que coroou a campanha de um time vencedor, o ponto dos 25/22 do quarto set, veio num erro do italiano Sartoretti, considerado o melhor jogador da Itália. Talvez por isso, irritado, ele se retirou antes da hora na entrevista coletiva, com cara de poucos amigos. A festa era brasileira, representada na mesa por Bernardinho e Giba.