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Flamengo em desespero

Lanterna, time perde do Coritiba, se afasta mais do penúltimo colocado e Felipe é expulso

CURITIBA - Lanterna do Campeonato Brasileiro, com 17 pontos, a três do penúltimo lugar, hoje o Botafogo. Apenas um gol marcado nas oito últimas partidas - há quatro sequer marca. Tudo isso resume o que representou para o Flamengo a derrota de 1 a 0, ontem à noite, para o Coritiba, no Estádio Couto Pereira - gol de Tuta. Não só a derrota, mas também o desespero que começa a tomar conta de jogadores que não recebem salários há três meses e de um técnico novo que pecou ontem pelo excesso de experiências malsucedidas.

Felipe, expulso aos 37 minutos do segundo tempo por falta violenta em Ataliba - o jogador ainda xingou o adversário, no chão, atingido -, simboliza o Flamengo que não se encontra. Bem como o técnico Paulo César Gusmão, que sem conhecer bem o elenco, armou um time com três zagueiros confusos e atuando em linha e depois se confundiu nas substituições, lançando até o limitado Negreiros no ataque.

- Precisamos de reforços para reagir. E que facilitem nosso trabalho - disse PC, que domingo, contra o São Paulo, em Volta Redonda, sabe que não terá Felipe e que, mesmo vencendo, dificilmente abandonará a lanterna. Solução? A contratação do lateral-direito Leonardo China, ex-Volta Redonda.

A situação crítica ficou clara no primeiro minuto. A defesa de três zagueiros, em linha e adiantada, quase levou logo um gol. Athirson dividiu com Tuta na área, que caiu, mas não houve pênalti. Os buracos eram bem explorados pelo Coritiba. Era só Capixaba lançar para Tuta ou Aristizábal, que dominavam livres. Os três zagueiros rubro-negros, além de marcarem mal, erravam passes infantis. Numa jogada dessas, a bola foi lançada para Aristizábal, que só não fez porque abusou dos dribles.

Pior que o Coritiba chegava na área e não chutava com perigo. Ao contrário do Flamengo, que não conseguia uma jogada na área mas criou perigo com chutes de longa distância. Com Dimba fora de forma, chegando atrasado nos lances, e Jean não dando seqüência às jogadas, Felipe, que se deslocava pelos setores do campo para armar a equipe, passou a jogar com Athirson. O lateral, aliás, era o melhor atacante rubro-negro. No primeiro chute, obrigou o goleiro Fernando a fazer a primeira defesa. No segundo, bateu rente à trave, o que Jean já tinha feito antes.

O problema é que, numa das arrancadas, Athirson escorregou e perdeu a bola no meio-campo. Capixaba lançou Tuta. A defesa, fazendo a linha burra, viu o atacante só tocar na saída de Júlio César e fazer 1 a 0, aos 42 minutos. Athirson ainda tentou empatar, mas Fernando voou no ângulo.

PC mexeu no intervalo. Trocou Henrique e André Bahia por Júnior Baiano e Roger. Athirson obrigou Fernando a nova defesa. Só que a entrada de Negreiros no lugar de Jean matou o time, que se descontrolou. Felipe chutou o balde, e era Gauchinho que centrava na área no final. Não podia dar certo.


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[05/AGO/2004]


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