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Uma estréia animadora

Seleção vence Colômbia por 2 a 1, com gols de Ronaldinho e Kaká, no primeiro jogo das Eliminatórias

BARRANQUILLA, COLÔMBIA - O Brasil de Parreira, pelo menos no prelúdio rumo ao hexacampeonato mundial, tem a cara do Brasil de Felipão. Para o mal e para o bem. Ao temperar marcação forte com gotas generosas - decisivas - do talento inerente ao DNA do futebol nacional, a Seleção venceu a Colômbia por 2 a 1 (gols de Ronaldinho, no primeiro, e Kaká, no segundo, com Angel descontando), ontem, no Estádio Roberto Melendez, estreando com sorrisos no longo caminho para a Copa da Alemanha. Foi a única das seleções sul-americanas a vencer fora de casa na primeira rodada das Eliminatórias. Um começo, se não brilhante, animador.

Com a cadência marota dos times visitantes, cuja pobre tradição manda levar o jogo em banho-maria, o Brasil iniciou a partida trocando passes sem entusiasmo, à espera de um lampejo redentor. Era o Brasil das últimas Copas, não o dos nossos sonhos ou o que habita o imaginário; e sim o que joga o suficiente para vencer, quase sempre de um arroubo técnico, uma nota travessa na partitura café-com-leite.

Ao script previsível, somavam-se um calor que rondava os 40 graus e uma Colômbia escaldada para conter o pentacampeão mundial - ou seja, fechadinha da silva, a ponto de abdicar de Aristzábal no ataque. O resultado, inexorável, apresentava-se na forma de um jogo opaco, travado.

A primeira boa trama brasileira nasceu só aos 13 minutos: Roberto Carlos cruzou com perigo, mas Rivaldo completou lânguido, nas mãos do goleiro Córdoba. Em seguida, Angel deu o troco ao entrar driblando na área verde-amarela. Dida, atento, fez boa defesa.

Mesmo longe de empolgar, a Seleção chegou à vantagem aos 22 minutos. Depois de receber ótimo passe de Roberto Carlos, Zé Roberto avançou em velocidade e cruzou para Ronaldinho marcar, de esquerda. Uma arquitetura digna de pentacampeão.

O gol fez bem ao Brasil, que passou a jogar melhor. Zé Roberto, Alex e Rivaldo comandavam as ações. Do outro lado, um time insípido facilitava a marcação - e calava os cerca de 55 mil torcedores que recheavam o estádio.

Quando a Colômbia jazia inofensiva, o imponderável trouxe o empate: Grisalez cruzou, a zaga bobeou e Angel marcou de cabeça, aos 38 minutos. Um gol com a assinatura do inesperado.

Embora a igualdade tivesse animado o time colombiano, foi o Brasil que voltou a ameaçar: aos 43 minutos, Alex cobrou falta e Gilberto Silva cabeceou no canto direito de Córdoba, que espalmou para a linha de fundo.

O enredo morno insinuou-se no começo do segundo tempo. Talvez pelo cansaço, latejavam deficiências: Rivaldo, sem ritmo, destoava; Alex tomava os habituais chás-de-sumiço que emperram sua carreira na Seleção; e Lúcio... bem, Lúcio treinava para o vale-tudo. Por sorte, não foi expulso.

Como o meio-campo dava sinais de submissão, Parreira decidiu arriscar: trocou Emerson por Renato e Alex por Kaká, aos 15 minutos. Deu certo. Logo na primeira participação, Kaká desempatou numa bomba da entrada da área.

Em seguida, Ronaldinho, em iluminação de craque, marcou um golaço - corretamente anulado pelo árbitro Horacio Elizondo, pois o atacante havia levado a bola com a mão. Aos 18 minutos, novamente Ronaldinho desperdiçou boa chance ao chutar para a linha de fundo, depois de haver recebido passe açucarado de Kaká.

Favorecido pela inoperância adversária e pelo apetite de Kaká para comer a bola, o Brasil perderia ainda mais quatro chances para ampliar. A Colômbia vivia de esparsos contra-ataques, quase jogava a toalha.

Ronaldinho, Zé Roberto e Kaká costuravam as principais investidas. Aos 34 minutos, Rivaldo lembrou os bons tempos ao invadir a área driblando. Merecia o gol, evitado por Córdoba.

Ao não disparar o tiro de misericórdia, o Brasil deu asas a uma cobra murcha. Movida pela garra, a equipe colombiana passou a pressionar. E o que caminhava para um desfecho tranqüilo transformou-se em dez minutos de correria.

Àquela altura, chutões de parte a parte asfixiavam a tática, a técnica, a lógica. Nos cinco minutos finais, prevaleceu, sim, a capacidade da zaga brasileira de desarmar os chuveirinhos, em tom de desespero, impostos pelo rival.

Aos 42 minutos, uma nota que sugere o relevo do futebol brasileiro: mesmo em fase nublada (amarga a reserva no Milan), mesmo sem ter jogado bem, Rivaldo saiu de campo aplaudido pelos torcedores colombianos. Reconhecimento para poucos. Diego, seu substituto, pouco teve tempo para fazer algo além de ajudar o Brasil a, clichê dos clichês, segurar o resultado.


[08/SET/2003]



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