Impasse suspende o Campeonato Brasileiro

Clubes dizem não ter tempo de se adaptar ao Estatuto do Torcedor

A CBF e o Clube dos 13 anunciaram que o Campeonato Brasileiro está paralisado por tempo indeterminado. Dez dos 24 clubes da Primeira Divisão pediram a suspensão do Brasileiro, nas séries A, B e C (que nem começou), a partir do próximo fim de semana. Os dirigentes comunicaram a decisão, ontem à noite, numa reunião na sede da CBF, no Rio. Os clubes alegaram não ter como cumprir o que estabelece o novo Estatuto do Torcedor, que passou a vigorar na sexta-feira. Os 10 clubes que foram à CBF são: Atlético-MG, Cruzeiro, Santos, Grêmio, Internacional, Atlético-PR, Vasco, Flamengo, Fluminense e Figueirense.

- Neste momento, não temos como cumprir o Estatuto do Torcedor - disse o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff.

Os 10 clubes reunidos ontem afirmaram que precisam de tempo maior para cumprir as determinações do novo Estatuto do Torcedor. Entre os pontos que os clubes afirmam não ter condições de cumprir estão a responsabilidade pela integridade e a segurança dos torcedores enquanto estiverem nos estádios e a obrigação de pôr assentos e numeração nas arquibancadas. Pelo Estatuto, os dirigentes poderão ser responsabilizados em caso de briga de torcedores no estádio ou nas imediações.

Os jogos de hoje pelas semifinais da Copa do Brasil e a partida do Grêmio, amanhã, pela Libertadores, contra o Independiente, estão mantidos porque os ingressos já foram postos à venda.

Em Brasília, o ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, disse que ''a nova lei foi discutida durante meses e precisa ser cumprida''. Queiroz frisou que os clubes terão seis meses para se adaptar às mudanças.

- Isso é uma afronta ao poder público e uma descortesia com o torcedor. Não se admite isso. Estamos num processo de reestruturação do futebol . Vivemos um período em que temos que ter respeito à lei e à ética. É preciso dialogar.

Mesmo entre os clubes que participaram da reunião permanece o impasse. O presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-MG, Alexandre Kalil, defendeu o cumprimento da lei. O clube, no entanto, teve representante na reunião.

- A lei tem que ser seguida. O que esses dirigentes querem é que a roubalheira continue. É hora de o governo avisar à cartolagem corrupta desse país que o futebol mudou - disse em entrevista à Rádio Globo.

Os dirigentes dos 10 clubes que foram à CBF afirmaram que, se o campeonato prosseguisse e eles não cumprissem o Estatuto, poderiam sofrer ações judiciais.

- Tem muitos itens desse Estatuto do Torcedor que não poderemos cumprir até a próxima rodada. Principalmente esses relativos à segurança nos estádios e à saúde dos torcedores, como a colocação de ambulâncias nos estádios. Pretendemos ir ao ministro Agnelo e ao presidente Lula para pedirmos um tempo maior para nos adaptarmos - afirmou o presidente do Vasco, Eurico Miranda.

O presidente do Grêmio, Flavio Obino, diz que alguns pontos do Estatuto do Torcedor não terão como ser cumpridos.

- Há cerca de 20 itens que os clubes não têm condições de cumprir. Para cumpri-lo no jogo contra o Indepediente, por exemplo, para o qual esperamos 60 mil pessoas, eu teria que providenciar 200 médicos e 100 ambulâncias - disse Obino, referindo-se à determinação de que haja uma ambulância para cada 10 mil torcedores.

- A decisão não foi só do Clube dos 13 ou da CBF, mas sim de todos os 24 clubes da Série A - disse o presidente do Atlético-PR, Mário Celso Petraglia.

O presidente da Federação de Futebol do Rio, Eduardo Vianna, o Caixa D'Água, disse que não permitirá que nenhum jogo seja disputado no Rio.

[21/MAI/2003]

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