Apesar da vitória de domingo, torcedores invadem o clube para protestar. Torres e jogadores pedem respeito e apoio
Quem acreditava que a vitória de domingo fosse devolver um pouco de paz ao Flamengo se decepcionou. Ontem foi mais um dia tumultuado na Gávea. Enquanto os jogadores treinavam, à tarde, um grupo identificado como da Torcida Jovem invadiu o clube para um protesto pela situação do time no Campeonato Brasileiro. Apesar de carregarem uma faixa com os dizeres ''Edmundo a culpa toda é sua'', os dez torcedores descarregaram sua ira também nos jogadores. A entrada da torcida havia sido proibida pela diretoria, mas um portão indevidamente aberto atrás do campo permitiu a invasão. Seis seguranças demoraram cerca de dez minutos para expulsar o grupo e encerrar o protesto.
Os jogadores ficaram assustados. ''Vocês têm de se esconder em Juiz de Fora mesmo, seus frouxos'', gritava um dos torcedores, referindo-se ao fato de o time estar jogando longe da torcida no Campeonato Brasileiro. ''Não pode haver esse tipo de problema no nosso local de trabalho'', reclamou Edílson, que deixou o Corinthians por conta de um protesto violento da Gaviões da Fiel. Juan ficou revoltado durante a invasão. Gesticulou, reclamou com o supervisor José Chimello e, na saída, justificou sua reação. ''Torcedores fanáticos, muitas vezes, não pensam no que fazem. Sou rubro-negro desde criança e acho que o ideal é apoiar o time também nos momentos difíceis.''
Medo -O técnico Carlos Alberto Torres pediu respeito: ''Os torcedores precisam entender que ninguém está nessa situação porque quer. E ninguém aqui é vagabundo para ser tratado assim. Estamos trabalhando.'' O técnico, no entanto, é contra a idéia de deixar a torcida do lado de fora nos treinamentos. Edílson discorda: ''A diretoria já havia proibido a entrada mas o portão aberto atrapalhou tudo. Só que não podemos generalizar. Um grupo de dez torcedores não pode falar por todos os rubro-negros. Tenho certeza de que a maioria quer apoiar.''
O clima tenso, causado pela ameaça de rebaixamento que ainda ronda o clube, está mudando a rotina dos jogadores. Petkovic, por exemplo, tem pedido à segurança sempre um homem para acompanhá-lo até seu carro. Não é só ele. A maioria dos jogadores está evitando parar seus carros no estacionamento reservado a eles. Prefere estacionar no local dos sócios - o medo é que seus automóveis sejam depredados. A manifestação de ontem não foi a primeira da semana. No domingo, em Juiz de Fora, o ônibus do time chegou a ser invadido por dois torcedores que queriam agredir Petkovic.
Preparação - Os problemas do Flamengo são no Brasileiro, mas o jogo de amanhã à noite, no Maracanã, contra o Grêmio, é pelas semifinais da Copa Mercosul. Torres comandou ontem um coletivo, mas não pode pôr em campo seu time ideal. Edílson e Júlio César, gripados, não participaram do trabalho. Hoje o técnico vai fazer novo coletivo e já avisou: sua idéia é manter o time com três atacantes .
No domingo, o time volta a jogar pelo Brasileiro, contra o líder São Caetano. Com 26 pontos e na 23ª posição, o Flamengo pode com uma vitória escapar do risco de rebaixamento - segundo o matemático Tristão Garcia, o número de vitórias (7) é um trunfo na fuga da Segundona.