Segunda-feira, 12 de Novembro de 2001
Vasco perde do Atlético e agoniza, mas não morre

Equipe sai na frente, permite virada mineira, mas ainda tem 1% de chances

BELO HORIZONTE - Os 2 a 1 impostos pelo Atlético Mineiro, ontem à tarde, no Mineirão, não puseram ponto final à agonia em que se transformou a participação do Vasco no Campeonato Brasileira. A equipe continuou sendo a única a não vencer nenhuma partida fora de casa, se distanciou ainda mais do grupo dos oito que se classificarão para a segunda fase, mas os números da matemática lhe dão esperança. Pouca, é verdade. O 1% de chance mantém a equipe de São Januário na briga pela vaga. Na prática, o sonho do quinto título nacional praticamente se esvaiu - e isso já faz um bom tempo.

A derrota de ontem - saída dos pés de um ex-vascaíno, Guilherme, que marcou os dois gols do Atlético - deixou o Vasco com 29 pontos, a seis do oitavo colocado, o Palmeiras, que tem 35. Restam quatro rodadas e, para o Vasco, não existe mistério: só vencendo as quatro partidas, poderá sonhar com a classificação. Quinta-feira, o time enfrenta, em São Januário, o Grêmio.

O jogo contra o Atlético até começou nos embalos do sonho. Aos 5min, Ely Thadeu aproveitou uma bola desviada por Donizete e, de primeira, pôs o Vasco em vantagem. O gol, no entanto, acabou se revelando mero acaso. Mais organizado em campo, o Atlético rapidamente se recuperou, tomando o controle da partida. Sem Juninho (servindo à Seleção) e Euller (machucado), Romário passou 90 minutos sozinho, sem ter com quem dividir seu talento. Até arriscou algumas - poucas, é bom frisar - jogadas, chegou a marcar um gol, ilegalmente anulado por impedimento pelo confuso árbitro Alfredo Loebeling, mas ficou devendo.

Falha - Afinal, era mais um dia de agonia para o torcedor vascaíno, que sofria com os ex-cruzmaltinos Guilherme, Ramon e Felipe (esse estreando pelo time mineiro, em seu primeiro jogo contra o Vasco). A alegria durou pouco. Aos 13min, Guilherme só teve trabalho de tocar a bola para o gol depois de uma falha da defesa do Vasco em cobrança de falta de Ramon. O sofrimento vascaíno aumentou com o gol anulado de Romário, que poria o time outra vez à frente. A angústia se multiplicou aos 39min. Ramon dividiu com Helton dentro da área e caiu. Em pênalti duvidoso, o goleiro levou a melhor sobre Guilherme, defendendo a cobrança.

O castigo veio. No segundo tempo, aos 7min, Marques avançou pela direita, teve todo o tempo do mundo para cruzar e Guilherme, sem ser incomodado, só fez a bola entrar. O Atlético poderia ter dilatado o placar até porque, a essa altura, tinha pela frente um adversário que avançava muito mais pelo desespero do que pela técnica ou tática. A dupla Marques-Guilherme ainda desperdiçou, pelo menos, duas boas chances de ampliar. À base do contra-ataque, a equipe mineira mantinha as rédeas do jogo e empurrava o Vasco alguns metros à beira do precipício. A agonia continua.


ATLÉTICO-MG 2

Velloso, Cicinho (Romeu), Marcelo Djian, Álvaro e Felipe (Michel); Cleison, Djair, Valdo e Ramon (Alexandre); Guilherme e Marques. Técnico: Levir Culpi.

VASCO 1

Helton, Rafael, Géder, Leone e Gilberto; Donizete, Jamir (Paulo César), Fabiano Eller e Leo Lima (Geovani); Ely Thadeu (Dedé) e Romário. Técnico: Paulo César Gusmão.

Local: Mineirão, em Belo Horizonte. Árbitro: Alfredo dos Santos Loebeling. Público pagante: 35.762. Renda: R$ 175.527. Cartões amarelos: Leo Lima e Gilberto. Gols: No primeiro tempo, Ely Thadeu aos 5min e Guilherme aos 13min; no segundo tempo, Guilherme aos 7min.

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