Domingo, 4 de Novembro de 2001
Pneu errado adia sonho de Barros

Brasileiro teve dois momentos na corrida. No primeiro, chegou a levantar a torcida. Mas a chuva mudo tudo para ele

TULIO BRANDÃO

Os 41.374 fãs que enfrentaram a chuva viram dois Alexandre Barros bem distintos ontem, nas 500cc do Rio GP de Motovelocidade, última prova do Mundial de 2001. O primeiro, um furacão que largou em 12° lugar, não tomou conhecimento de motos mais fortes e, quatro voltas mais tarde, já ocupava a terceira posição e levantou a torcida, que aplaudia suas manobras. A chuva caiu, a organização interrompeu a prova e, na relargada, apareceu o outro Alex Barros. No reinício, o brasileiro foi ao ataque, dando a impressão de que venceria a primeira prova da carreira em casa. Chegou a ocupar a segunda posição, mas se transformou de uma hora para outra em mero coadjuvante, graças a uma escolha infeliz de pneus. Era o outro brasileiro em ação, triste e impotente, que só pode aplaudir a festa no pódio do italiano Valentino Rossi, campeão antecipado, que fechou a temporada com mais uma vitória; do espanhol Carlos Checa, segundo colocado, e de Max Biaggi, o terceiro.

Quem viu o início da corrida, não acreditou que o brasileiro da Honda Pons n° 4 fosse o mesmo Barros que no sábado sofrera com problemas na sessão classificatória. O brasileiro largou forte e, passada a primeira volta, já ocupava a nona posição. Na segunda passagem, Barros já aparecia em quinto, mas ainda distante de Rossi e Checa. Fez a volta mais rápida da prova na volta seguinte e encostou no espanhol. Na ponta, o americano Kenny Roberts Jr. trocava posição com o pole, o japonês Tohru Ukawa. Na quarta volta, foi a vez do brasileiro deixar para trás Rossi e Checa, mas para seu azar, subiu a bandeira vermelha, em função da chuva. Pilotos no boxe, para troca de pneus, e nova relargada. O brasileiro saiu em quinto, pois suas duas últimas ultrapassagens não foram validadas.

''Na primeira parte da corrida, estava indo muito bem. Se eles interrompessem a prova uma volta mais tarde, eu relargaria em terceiro'', lembrou Barros. Mas tudo indicava que o brasileiro relargaria como uma bala em busca da primeira posição, tal o seu ataque nas quatro voltas iniciais. Que nada, uma escolha mal-sucedida de pneus enterrou as chances de vitória verde-amarela. ''Escolhi pneu misto na frente e slick (liso) atrás. Desgastaram muito rápido, então a moto começou a sair de frente'', explicou.

Falsa impressão - Barros até conseguiu acompanhar por algum tempo o pelotão da frente. Ficou em segundo por um tempo, dando a impressão de que poderia lutar pela vitória. Mas, nas últimas dez voltas, o rendimento da moto caiu tanto que ele perdeu contato com os três primeiros e, quase 20 segundos atrás, chegou a ser ultrapassado pelo companheiro de equipe, Capirossi. Na última volta, porém, recuperou a quarta posição.

''Quando senti o problema com os pneus, tive de me contentar em fazer a minha corrida. Não acho que eu tenha errado. A escolha de pneus é imprevisível, uma aposta.''

O sonho da vitória de Barros foi adiado por mais um ano. A temporada de 2002, por esse e outros motivos, será decisiva para o piloto. Ele terá motores oficiais 500cc 2 tempos da Honda, enquanto o piloto oficial da fábrica, Rossi, usará os 990cc de 4 tempos. Há quem aposte que os propulsores antigos, já adaptados à categoria, levarão vantagem pelo menos até o ano que vem.

''Estou muito confiante. Terei um equipamento bem melhor que o deste ano. Quem sabe não chegará minha hora.'' Seria na 13ª temporada na elite do motociclismo mundial, mas antes tarde do que nunca.

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