BRASÍLIA -
Ricardo Teixeira, conforme anunciado, não apareceu na CPI do Futebol. Mas a tropa de choque estava toda lá, na reunião da comissão do Senado, suprindo a ausência do presidente licenciado da CBF. O presidente, Álvaro Dias (PDT-PR), e o relator, Geraldo Althoff (PFL-SC), encararam um exército de sete parlamentares dispostos a barrar qualquer convocação de dirigente da CBF para explicar os pontos ainda nebulosos da investigação do Senado. Para representar a CBF, acabaram conseguindo seu diretor financeiro, Oswaldo Ferreira, que deve comparecer dia 18.
O time simpático aos dirigentes entrou no plenário composto pelos senadores Maguito Vilela (PMDB-GO) e Gilvan Borges (PMDB-AP) à frente, com ajuda dos colegas Jonas Pinheiro (PFL-MT), Leomar Quintanilha (PFL-PI), João Alberto Souza (PMDB-MA), Gérson Camata (PMDB-ES) e José Coelho (PFL-PE), além de Ney Suassuna (PMDB-PB), recém-indicado ministro da Integração Nacional, vivendo seus últimos momentos na Casa.
Na impossibilidade de Teixeira atender os senadores - o presidente da CBF está afastado de qualquer atividade por seis meses, segundo ordem de seu cardiologista - Althoff queria ouvir alguém da confederação para fechar o relatório. Primeiro para confrontá-lo com as descobertas feitas pela CPI desde dezembro, quando Teixeira prestou seu depoimento. Descobertas relativas à quebra dos sigilos bancário e fiscal da entidade; posterior às explicações do dirigente-máximo do futebol brasileiro. O segundo motivo: dando a ampla defesa para dirigentes da CBF, o trabalho da CPI - e seu relatório - ganha forças não só para ser aprovado, mas também para ser melhor apreciado pelo Ministério Público (a quem cabe levar adiante as investigações da CPI).
Indicação - Assim, para evitar a convocação de outros dirigentes, senadores simpáticos à CBF lotaram o plenário. Percebendo a inviabilidade de aprovar qualquer convocação (eram oito votos contrários garantidos), Álvaro Dias pediu, então, que os senadores indicassem algum cartola a ser ouvido. ''Algum dos senhores pode até ligar para Ricardo Teixeira para saber quem ele indica pessoalmente'', chegou a sugerir Dias.
Maguito Vilela fez o oposto: Em vez de levantar algum nome, sugeriu um requerimento entre os senadores para ninguém mais ser convocado. Quando a sugestão estava prestes a ser votada (e, fatalmente, aprovada), um assessor de Dias tirou da gaveta o nome do diretor financeiro da CBF, Oswaldo Ferreira. O requerimento pedindo sua convocação tinha sido aprovado em 5 de abril, e ainda não tinha sido emplacado, por causa da agenda e de outros nomes prioritários.
Diante do quadro de saúde de Teixeira, Álvaro Dias pediu ontem a renúncia do dirigente e de toda a diretoria da CBF. ''A renúncia seria adequada. O licenciamento mantém a mesma estrutura da CBF'', disse. ''Seria irresponsabilidade manter essa direção desacreditada pela opinião pública e desabilitada pela vontade pública.''