Quinta-feira, 27 de Setembro de 2001
Guerra perdida

Brasil sofre com etapas canceladas

TULIO BRANDÃO

Não seria exagero dizer que, pelo menos no surfe, o Brasil perdeu a guerra. Com o recente cancelamento das etapas européias do WCT e brasileiras do WQS (divisão de acesso), em função do terror nos Estados Unidos e da disparada do dólar, os tupiniquins levaram a pior. Renan Rocha e Armando Daltro, dois dos melhores canarinhos entre os top 45 do mundo, terão de suar para se classificar numa das duas divisões no Havaí, onde serão realizadas as últimas etapas do WQS, em Haleiwa, e do WCT, em Sunset.

O esquadrão verde-amarelo das ondas não deve apenas perder surfistas experientes. Pior: com o fim das etapas do WQS em Florianópolis e Maresias, os brasileiros que ainda lutam por um lugar ao sol, como Danilo Costa e Crhistiano Spirro, não terão os pontos fartos dos torneios caseiros. Decidirão o futuro em Haleiwa, numa competição inchada apenas pelos melhores surfistas do mundo, em ondas muito diferentes das que surfam habitualmente. Fábio Gouveia, após mais de uma década de elite, não teme ter de decidir no Havaí, mas lamenta pelos colegas mais novos. ''Eles terão de entrar no fogo de Haleiwa. Não entendi o cancelamento das etapas brasileiras. Alegaram alta do dólar, mas isso só traz prejuízo para a gente.''

Fabinho vai esquecer a falta de grana em torneios no Brasil. ''Tive de cancelar alguns projetos, mas vida que segue. Vou tentar chegar antes ao Havaí para treinar um pouco.'' Paulo Moura, no seu ano de estréia, também lamentou. ''Ainda nem recebi o dinheiro da inscrição das etapas européias de volta. Isso sem falar das passagens canceladas.'' As provas de Portugal, França e Espanha foram canceladas em função da pressão dos americanos, que se recusam a sair do país por 30 dias, a partir do atentado do último dia 11.

Confirmação - As duas etapas havaianas foram confirmadas ontem pela Associação de Surfistas Profissionais. Resta saber agora se a entidade irá salvar os incautos prejudicados pela guerra. Renan, especialista em ondas havaianas, acredita na entidade. ''Eles serão justos, devem encaixar os atletas que não puderam se classificar devido à guerra.'' Senão, corre o risco de a ASP ser atacada com argumentos como o do australiano Sacha Stocker. ''Se os americanos se recusaram a viajar à Europa, porque eu iria ao Havaí, onde há bases militares?''

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