Denúncias da CPI podem apressar ação para afastar do Vasco o presidente do clube e punir o ex, Antônio Soares Calçada
As últimas descobertas da CPI do Futebol do Senado sobre desvios de verba do Vasco para contas de alguns dirigentes deverão facilitar a oposição do clube na tentativa de impeachment do presidente Eurico Miranda. E no máximo em uma semana o advogado Antônio Carlos Biscaia, contratado pelo Movimento Unido Vascaíno (MUV), entrará com uma ação pedindo a cassação de Eurico, e outra, intitulada solidária por danos causados ao clube, contra o ex-presidente Antônio Soares Calçada - que responde a ação penal por lesão corporal no 3° Juizado Especial Criminal pelo desabamento do alambrado do Estádio de São Januário que feriu 139 pessoas no fim de 2000.
Biscaia não confirma a ação contra Calçada. Prefere guardar silêncio. Mas sabe-se que, de acordo com a documentação já em poder do advogado da oposição, há provas evidentes de que o ex-presidente teria sido conivente com as supostas operações irregulares no clube. Mas Biscaia prefere falar sobre os últimos acontecimentos, como o depoimento do vice de Finanças, Mário Cupello, terça-feira, negando saber das operações. ''É lógico que essas denúncias recentes reforçam ainda mais nossas provas. Mas não vou adiantar nada. Tudo está sendo feito com calma. Não há pressa, até porque estão sempre surgindo novos elementos a cada semana.''
Revolta - Os cheques em nome do suposto laranja de Eurico, o funcionário Aremithas José de Lima, em nome de diretores do clube causaram revolta no primeiro-secretário do Conselho Deliberativo do Vasco, Itamar Ribeiro de Carvalho. ''Será possível que o vice de Finanças não sabe de nada disso e nega que assinou? Alguns depósitos eu acredito até que possam ser reembolso. Mas o de R$ 5 milhões na conta da Brazilian Soccer, do Nílson Gonçalves, aí é demais. A situação do Vasco está insustentável'', disse o ex-aliado de Eurico, que agora faz oposição ao dirigente e deputado federal. ''Sempre tivemos nossas divergências. Mas desde as denúncias do início do ano revi minha posição, procurei o MUV, do qual não sou partidário, e me coloquei à disposição. Eurico não é o Vasco, não.''
Segundo Itamar, há outros conselheiros no clube insatisfeitos com as denúncias. ''Mas eles ainda têm medo de represálias. Acham Eurico o todo-poderoso, inatingível. Mas ele é passível de sanções. E todos os dirigentes envolvidos devem ser punidos, até expurgados do clube.''
No depoimento de Mário Cupello, na terça-feira, o relator da CPI, senador Geraldo Althoff (PFL-SC), apresentou cheques assinados por Aremithas José de Lima para pagamentos de despesas pessoais de Eurico e na conta dos seguintes dirigentes do Vasco: o vice de Esporte Amador, Fernando Lima (R$ 150 mil), o vice de Futebol Amador, Darcy Peixoto (R$ 32 mil), e o supervisor de esporte Nílson Gonçalves (R$ 40 mil), além de pagamentos de R$ 5 milhões para a empresa Brazilian Soccer. Os diretores, bem como o ex-presidente Antônio Soares Calçada, não foram localizados pelo JB.
Time - No desembarque de ontem, após a eliminação da Copa Mercosul com o empate de 2 a 2 com o Boca Juniors, o que deu prejuízo de US$ 1 milhão, houve muitas queixas à arbitragem.