Maradona é camisa 10. Para sempre
Seleção argentina segue exemplo dos esportes americanos e tira de circulação o número usado pelo maior craque do país
BUENOS AIRES -
Demorou mais, bem mais do que devia, mas finalmente Diego Maradona recebe uma homenagem de magnitude semelhante ao futebol que jogou. A Associação do Futebol Argentino (AFA) anunciou ontem que a camisa 10 da seleção jamais vestirá outro jogador. A homenagem tardia tem como alvo o maior craque dos país em todos os tempos - e um dos grandes da história do futebol. Campeão do mundo em 86, Maradona teve uma das maiores exibições individuais de todas as Copas usando a 10 azul e branca da Argentina.
O ato de retirada do número será no próximo dia 10, em Buenos Aires, quando a seleção portenha enfrentará um combinado de craques de outros países. Maradona estará em campo, usando a camisa que, daí em diante, será eternamente sua. Ultimamente, o número vem vestindo com mais freqüência o meia Ortega, um candidato a sucessor do ídolo que nunca se firmou na seleção.
''Maradona nos deu muitas alegrias com essa camisa'', explicou Julio Grondona, presidente da AFA. ''Por isso, todos (os integrantes do comitê executivo da entidade) votaram a favor da decisão'', acrescentou ele, informando que a regra vale também para as seleções amadoras. Maradona chamou a atenção do planeta no Mundial de Juniores de 79, formando a dupla de ataque campeã com Ramon Díaz.
A Argentina segue, assim, o exemplo do esporte americano, onde tornou-se praxe eternizar camisas usadas por grandes ídolos. Diversos times da NBA têm números aposentados - o Los Angeles Lakers homenageou, entre outros, Magic Johnson (32) e Kareem Abdul-Jabbar (33); o Boston Celtics também retirou a 33, usada por Larry Bird; e, claro, o Chicago Bulls eternizou a 23 de Michael Jordan.
Baresi - As camisas costumam ser penduradas no alto dos ginásios, para que o público as reverencie permanentemente. No futebol, o Milan foi um dos primeiros times a fazer a homenagem, impedindo que outro jogador use a camisa 6 celebrizada pelo líbero Franco Baresi.
Técnico que ganhou de Maradona o título mundial em 86, Carlos Billardo elogiou a decisão da AFA, mas pensando no futuro. ''Além do reconhecimento merecido a um ídolo, a retirada da camisa 10 vai ajudar os novos valores, que não terão de carregar o peso do número que Maradona usou'', comentou o treinador.
Diego Maradona marcou 61 gols em 138 jogos pela Seleção Argentina, da qual se aposentou à força, por ter sido apanhado em dois exames antidopings, o primeiro deles na Itália, por uso de cocaína. O segundo e definitivo foi durante a Copa do Mundo de 94, por uso de efedrina.
Fifa - A homenagem só corre um risco. Na Copa do Mundo, a Fifa, sempre impopular, exige que os números dos jogadores inscritos sejam de 1 a 23, o que obrigaria a Argentina a usar o 10. Julio Grondona não demonstrou preocupação com a possível resistência da Fifa. ''Quando for o momento, pediremos uma autorização especial'', avisou o dirigente, que, como todos os amantes do bom futebol, sabe que nenhum argentino merece a 10 depois de Diego Maradona.