Sábado, 21 de Julho de 2001
Um craque escaldado

Alex, um jogador à moda antiga, sabe que cobranças podem voltar

AFP
Alex e Denílson

O meia Alex (D) brinca com Denílson durante o treino da Seleção na Colômbia

Alex é o único titular da Seleção Brasileira remanescente do fracasso do Brasil nas Oimpíadas de 2000, na Austrália. Apontado como um dos símbolos do fiasco brasileiro, o meia ainda não se recuperou completamente. O episódio o faz manter os pés sempre atrás, mesmo nessa Copa América em que Felipão o transformou em titular absoluto, apesar da concorrência de Juninho Paulista, e da Seleção Brasileira ter se classificado para as oitavas-de-final. ''Basta perder para Honduras, que volta tudo como era, as cobranças virão fortes outra vez. Por isso o jogador não pode se abater com as críticas, nem se deixar levar pelos elogios'', disse.

O esquema adotado por Felipão, segundo Alex, o deixa com funções sobrecarregadas, já que dos três jogadores de meio-campo - Emerson e Eduardo Costa são os outros - ele é quem tem características de criação. ''Fico muito marcado e tenho de marcar também. Por isso fico sobrecarregado, mas ninguém vai levar isso em consideração no momento de me julgar''.

Anos 60 - Para muitos um jogador à moda antiga, com seu jeito desligado e parecendo em alguns momentos desligado do jogo, Alex não se sabe se seu estilo se adequaria melhor ao futebol que se praticava, por exemplo, nos anos 60. ''Algumas pessoas dizem isso, mas eu não sei, porque não vi nada do futebol desse tempo.''. Quando Alex começou, nas divisões de base do Coritiba, o modelo adotado já era o futebol de correria, muita marcação e força física. ''Me lembro que o Moracy Santana, preparador físico do São Paulo, era a grande novidade, com a introdução de vitaminas, aminoácidos, o time corria muito e diziam que o São Paulo ganhava tudo por causa disso'', contou.

Tudo muito diferente do que Alex apresenta em campo. ''Se eu fico parado um minuto, dizem logo que eu sou desligado''. Ainda sem ter tido a oportunidade de ter visto o futebol do tempo de Ademir da Guia - o camisa 10 do Palmeiras, como ele -, e por isso se considerar sem parâmetros para fazer comparações, de uma coisa Alex não tem dúvida: o futebol globalizado, que igualou times e seleções no aspecto físico, não seria impedimento para os verdadeiros craques se destacarem. ''Não concordo quando dizem que Pelé, Garrincha, Gérson não seriam os mesmos se jogassem hoje. Eles seriam craques do mesmo jeito, tenho certeza''.

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