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Caça politicamente correta
Não se fazem mais caçadores como antigamente. Atingida pela onda do politicamente correto, a Copa Rio de Caça Submarina, que será disputada hoje, em frente às Ilhas Cagarras, tem como regra a proibição à captura de determinadas espécies. Esporte em primeira análise predatório, a caça submarina muitas vezes é mal vista pelo público por causa disso. Porém, os mergulhadores de hoje se propõem até mesmo a realizar estudos científicos sobre a vida marinha nos locais de competição.
Desprovidos de recursos para auxiliar o mergulho, os competidores usam apenas roupa de borracha, arpão e snorkle, e não podem caçar cinco espécies: a lagosta, o polvo, a cavaca, o mero e a moréia. Esta última, apesar de não acarretar desclassificação no caso de captura, dificilmente é acuada, até pelo seu temperamento agressivo.
Os iniciantes na caça submarina são obrigados a participar de um curso que envolve palestras de ambientalistas, biólogos marinhos, médicos, entre outros, além de serem acompanhados por mergulhadores experientes para aprenderem a identificar o tamanho ideal para capturar cada tipo de peixe. Isso faz com que sejam evitadas a captura de filhotes ou de matrizes reprodutoras, que ficam mais ao fundo e muitas vezes são covardemente abatidas pelos que mergulham com cilindro de oxigênio.
Estudos - O presidente da Federação de Caça Submarina do Estado do Rio de Janeiro (FCSERJ), Mauro Coutto, explica que não há estudos precisos sobre a vida marinha nas regiões onde são feitas as competições. Por isso, a federação encomendou um estudo sobre as espécies mais capturadas nos torneios para que se tenha exata noção de como o esporte deve ser conduzido sem que haja prejuízo para a natureza. ''Encomendamos estudos com a garoupa, o sargo-de-beiço, a piranjica, o pampo, a enxada e o marimbá, que são as espécies mais capturadas nos torneios. Isso faz com que possamos ter uma melhor noção de como elaborar as normas de cada torneio de acordo com a população da espécie em cada área''.
Também é necessária uma boa dose de auto-conhecimento para mergulhar sem equipamento em profundidades de até 30m. O risco de desmaio e barotrauma (rompimento dos seios nasais) assusta, mas pode ser evitado. ''O maior perigo para o mergulhador é com o desmaio por falta de oxigênio e excesso de gás carbônico. Há um risco enorme. Você tem de saber respirar antes de entrar na água, não pode hiperventilar, e conhecer seus próprios limites. Também não se pode mergulhar resfriado porque se corre o risco de barotrauma (rompimento dos vasos dos seios nasais)'', explica Mauro.
Acidente - Mergulhador há quatro anos e estudante de Desenho Industrial, Bernardo Kalicinski, de 22 anos, passou por maus momentos embaixo dágua. ''O acidente que mais me assustou foi nas Ilhas Cagarras. A água estava muito clara, o que fez com que eu perdesse um pouco a noção de profundidade. Estava a uns 18m de profundidade e, na subida, quando já estava a cerca de três metros da superfície, ficou tudo verde. Quando saí da água e tirei a máscara, vi que o verde era sangue, que eu estava vendo misturado com cor do mar. Tive barotrauma nasal. Fiquei umas duas horas cuspindo sangue e um mês sem mergulhar. Não recomendo mergulhar resfriado''.
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