Domingo, 3 de Junho de 2001
Heróis do futebol brasileiro

Bicampeões mundiais acabaram com o estigma de derrota da Seleção. Bellini, o capitão de 58, ergueu a taça por acaso

LUIZ AUGUSTO NUNES

Eles são os homens que tiraram do torcedor brasileiro o complexo de perdedor. Jogadores de uma geração que escreveu a página da redenção do futebol brasileiro depois das derrotas nas Copas do Mundo de 1950 e 1954. Parecia uma sina, a de que Brasil estava destinado a ser coadjuvante, obrigado a se curvar à superioridade das seleções mundo afora.

Até que entraram em cena Pelé e Garrincha, os dois maiores jogadores que o mundo conheceu, para mudar a história. Tantos eles fizeram a diferença que a Seleção Brasileira jamais foi derrotada com os dois em campo. Pelé e Garrincha eram os astros de uma Seleção quase perfeita, que tinha ainda os Santos, Djalma e Nílton, Didi, o gênio do meio-campo, Vavá e seus gols, Zito, Gilmar, Zagallo.

E Bellini, o capitão de 58, que saiu dos gramados da Suécia para virar estátua, no gesto que eternizou ao erguer a então Taça Jules Rimet - mas que aconteceu por acaso, ou devido aos fotógrafos baixinhos, como conta o ex-jogador.

Hideraldo Luís Belini, hoje um senhor de 70 anos, conserva na vida a dignidade com que se impunha dentro de campo. A final da Copa da Suécia, no dia 29 de junho de 1958, no Estádio Rasunda, em Estocolmo, não sai da memória. Foi o momento máximo da carreira do zagueiro que jogou 10 anos no Vasco, passou pelo São Paulo e se despediu no Atlético Paranaense. ''A emoção naquele momento foi indescritível. Os jogadores choravam, abraçados, esperando o rei da Suécia me entregar a taça. Passou um monte de coisa pela cabeça, me lembrei do meu falecido pai, estava atordoado. Tanto que não sabia o que fazer, ainda mais com os gritos dos fotógrafos. Bellini, vira pra cá, mostra a taça.

Nesta confusão, sob aplausos dos suecos, surgiu o gesto. ''Levantei a taça. O que acabou sendo usado como modelo para a Estátua do Jogador que está em frente ao Maracanã, mas que todo mundo chama de Estátua do Bellini. Agradeço isso aos fotógrafos baixinhos''.

Dos 30 jogadores que participaram da campanha do bicampeonato mundial da Suécia e Chile, seis já morreram. Garrincha, Castilho, Zózimo, Jurandir, Oreco e, recentemente, o Mestre Didi. Restam 24 para contar a história de uma vida profissional vitoriosa. Muitos deles ainda ligados ao mundo do futebol e merecedores da reverência do torcedor brasileiro. Heróis de 1958 e 1962.

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