Sábado, 2 de Junho de 2001
Guga acaba com trauma do tie-break

Vitória por 3 a 1 sobre Alami leva brasileiro às oitavas-de-final de Roland Garros. Amanhã será a vez de Michael Russel

PARIS - Gustavo Kuerten superou dois adversários em apenas uma partida, ontem, em Roland Garros, pela terceira rodada do Aberto da França. Venceu seu oponente em quadra, o marroquino Karim Alami, por duros 3 sets a 1, com parciais de 6/3, 6/7 (3/7), 7/6 (7/5) e 6/2. E, mais importante, derrotou aquele que tem sido seu maior inimigo em momentos decisivos na atual temporada: o trauma de perder os tie-breaks. Deixou escapar o primeiro que disputou no jogo, é verdade, mas no terceiro set, hora da verdade na partida, deu o troco. Amanhã, pelas oitavas-de-final, o brasileiro enfrenta o americano Michael Russel, 122° no ranking de entradas e 136° na Corrida dos Campeões, que veio do qualifying e ontem eliminou o belga Xavier Malisse por 3/6, 6/4, 6/1, 1/6 e 6/4. Será o primeiro confronto entre os dois.

Quem só viu Guga jogando no primeiro set imaginou que o brasileiro passaria com facilidade pelo marroquino. Acertava paralelas e cruzadas no fundo da quadra e, ainda que Alami se mostrasse veloz o suficiente para alcançar bolas praticamente perdidas, o tenista catarinense fechou com facilidade o set, por 6 a 3.

O ágil marroquino, no entanto, não cansou de correr e passou a devolver bolas com precisão, o que acabou desarmando o jogo do brasileiro. A partida foi para o primeiro tie-break, e Guga falhou. Não acertou seus primeiros saques e, no segundo, deixou Alami atacar. Um 7/3 incontestável, com um Guga nervoso, com o olhar vazio de quem já viu essa história de perder tie-breaks importantes outras vezes.

Abatimento - Kuerten entrou no terceiro set cabisbaixo, ainda sob o efeito do trauma que mais uma vez o perseguia. Para piorar, entregou seu primeiro saque de bandeja para Alami, que não desperdiçou e abriu a primeira vantagem de 2 games a 1. Só que Guga estava abatido, mas não morto. Era hora de acordar. Suou, foi buscar bolas impossíveis, bateu com a raquete no chão, queria ganhar. Depois de trocar vantagens, devolveu a quebra no saque do marroquino. Guga voltava ao jogo.

Mas Alami, que havia perdido para o amigo brasileiro na Copa Davis em cinco sets, queria revanche. Por isso, comemorou os dois erros não-forçados que lhe deram a vantagem de 0/30 no game. Depois, foi só correr, devolver as bolas para o brasileiro e voltar a ficar em vantagem no set. Estava fácil, mas Alami esqueceu de rodar o punhal depois de encravá-lo com mais um saque quebrado. Fez 5 a 3, mas não fechou. Ou seja, deu margem à recuperação de Guga.

O brasileiro quebrou o saque de Alami e em seguida acabou com o trauma de derrotas em tie-breaks, que o incomodava desde a partida contra o australiano Patrick Rafter, pela Copa Davis, em fevereiro deste ano, em Florianópolis. Ontem, fechou apertado em 7/5, e amenizou um pouco seu histórico de insucessos nesse momento: agora, são três vitórias e 13 derrotas em tie-breaks nesta temporada.

Quebrado o encanto, foi só manter o tênis que o levou a ser o número um do ranking de entrada da ATP. Foi a vez de Alami sentir a pressão de jogar contra o placar. O brasileiro passeou em quadra, fechou o set em 6/2 e a partida em 3 a 1.

'Venci na luta e na garra'

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