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COB divulga raio-X do esporte
FÁBIO GRIJÓ
País do futebol, todo mundo sabe que o Brasil é. Mas também é a terra do vôlei, do handebol, da natação, do basquete e do atletismo, todos com mais atletas federados que o esporte número 1 do país, segundo estudo divulgado ontem pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), um raio-X do esporte nacional com base em informações repassadas pelas confederações de cada modalidade. Pelo levantamento, o Brasil também possui um retrato nada animador nas quadras, nas pistas e nas piscinas. Das 27 confederações de esportes no Brasil, somente cinco têm sede própria. Apenas oito contam com patrocinadores. Só três possuem pelo menos mil instalações esportivas.
O levantamento foi apresentado, na semana passada, ao ministro do Esporte e Lazer, Carlos Melles, e servirá para planejar os investimentos do governo federal na área. Segundo o relatório do COB, são necessários US$ 103 milhões este ano para suprir as necessidades das instituições que controlam os esportes nacionais. O orçamento do ministério para 2001, porém, é de R$ 14 milhões, além de R$ 5 milhões de crédito suplementar, totalizando R$ 19 milhões - uma quantia bastante inferior à demanda demonstrada pelo COB.
Mesmo se for levada em conta a previsão de arrecadação com a Lei Piva, ainda em tramitação no Senado, o montante não chegaria aos R$ 103 milhões. A lei, do senador Pedro Piva (PSDB-SP), prevê o repasse de 2% do total bruto das loterias para o esporte. Com a aprovação da lei, seriam destinados mais R$ 30 milhões, elevando o cofre do esporte para R$ 49 milhões, ainda aquém do necessário, segundo o levantamento feito pelo COB.
Futebol atrás - Existem no Brasil 293.533 atletas inscritos nas federações, segundo o relatório do COB. O futebol não foi analisado pelo estudo - segundo levantamento feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV-RJ) para a CBF, há 11 mil jogadores federados no Brasil apesar de 30 milhões de praticantes (contando os tradicionais peladeiros). E o esporte número 1 do país perde o topo em número de federados. O vôlei, de quadra e de praia, é o que tem mais adeptos: 85.302. Handebol (53.198), natação (37.589), basquete (25.150) e atletismo (18.319) também superam o futebol entre os atletas inscritos.
O estudo revela ainda demandas desiguais nos esportes. No basquete, por exemplo, são 25.150 jogadores federados desfrutando de 6 mil quadras, pelos números da confederação do esporte. A proporção dá uma média de quatro atletas por quadra. Na outra ponta, no tiro, uma modalidade individual, 9.654 praticantes têm que disputar 24 instalações - são 402 atletas por área de tiro.
O resultado do estudo surpreendeu negativamente. ''A realidade que esperávamos era ruim, mas, com o estudo, vimos que a situação é dramática, pior do que imaginávamos'', avalia o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman. No relatório, o COB propôs ainda metas a serem cumpridas por cada modalidade. ''Essa é uma base para o ministério saber como está o esporte olímpico e buscar apoio financeiro, especialmente no Ministério da Fazenda e na Receita Federal'', diz.
Gerente - ''Não adianta nada ter idéias maravilhosas, gestão impecável e não ter dinheiro'', completa o presidente do COB. Nuzman disse ser possível dar um salto de qualidade em até 12 anos desde que haja recursos suficientes para investimento no esporte. O dirigente contou ainda que, após a criação de equipes olímpicas permanentes em cada modalidade, o COB terá um gerente nesses times. Nuzman afirmou também que o foco deve estar no aprimoramento da parte administrativa das confederações. ''Quem estiver à frente de uma entidade tem que ter bagagem internacional.''
Segundo o estudo, apenas quatro esportes contam com uma boa infra-estrutura: vôlei, natação, basquete e atletismo (apesar de, nesse último, a sede da confederação estar numa área cedida pelo pai do presidente da instituição). As quatro modalidades estão entre as cinco com maior número de atletas federados e também dispõem de patrocinadores. Têm um retrato melhor que o de esportes como o badminton, a canoagem, o remo, o tênis de mesa, o tiro e o iatismo (dono de quatro ouros olímpicos), que sobrevivem, em parte, com dinheiro vindo de bingos. O desnível se torna evidente quando se toma por base os resultados em Olimpíadas ou Mundiais. Setenta e quatro por cento dos esportes jamais disputaram os torneios mais importantes.
O orçamento do ministério para 2001 (R$ 19 milhões) é superior ao do ano anterior (R$ 6 milhões). Os relatórios enviados pelas confederações ao COB estimavam uma demanda de R$ 226 milhões. Refazendo os cálculos, o comitê olímpico chegou aos R$ 103 milhões.
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