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Tempos modernos
Hoje falta Pelé para se cobrar resultados imediatos
ROBERTO ASSAF
Houve uma época em que o futebol do Brasil era tão superior ao do México que um empate de 3 a 3, como o de quarta-feira, seria suficiente para derrubar toda uma comissão técnica.
Em outubro de 1968 o Brasil perdeu de 2 a 1 para o México, em pleno Maracanã. O resultado foi absolutamente determinante para que dois meses mais tarde o treinador Aymoré Moreira fosse substituído por João Saldanha.
Motivos para a mudança não faltaram. Não se podia admitir, por exemplo, que um time formado por craques como Gérson, Rivelino, Jairzinho, Tostão, Pelé e Paulo César Lima pudesse perder para um adversário reconhecidamente inferior.
Não deixam de ter um pouquinho de razão os que criticam, nos dias de hoje, um empate com o México. Afinal, são os próprios mexicanos que lhes dá motivos para tal. Após a derrota de 3 a 2 para o Brasil, na Copa América de 1997, um jornal local não resistiu. ''Jogamos como nunca. Perdemos como sempre'', estampou. Ontem, o técnico Enrique Meza não escondeu a satisfação pelo 3 a 3, que classificou de ''um grande acontecimento''.
Mas os tempos mudaram. Hoje, o que existe é um Romário só, se esforçando para fazer verão. Não há mais um Gérson, um Rivelino, um Pelé, enfim, para se exigir um futebol de luxo e resultados imediatos, como na época de ouro do futebol brasileiro.
Nos dias de hoje, o calendário atropela as convocações, o excesso de jogos limita o período de treinamento, e a qualidade do elenco - distante, muito distante dos tempos do tri - tudo isso exige paciência para se formar um time que possa superar, por exemplo, os mexicanos. O Brasil ainda é melhor. Mas já se foi a época em que bastava chamar Pelé e sair comemorando. É disso, antes de mais nada, que o brasileiro precisa se convencer. Para não ficar decepcionado.
Um craque com o brilho ofuscado
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