Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2001
Popó se prepara para unificar títulos

Pugilista nocauteia panamenho, após 2min de luta, e mantém o cinturão
de campeão mundial dos superpenas pela OMB

MOACYR OLIVEIRA FILHO

Davi Zocoli

Popó pretende unificar os cinturões na categoria superpena, ainda este ano, e deve voltar a lutar entre os leves

BRASÍLIA - O pugilista baiano Acelino Freitas, o Popó, precisou apenas de dois minutos e treze segundos para nocautear o panamenho Orlando Soto, na noite de sábado, no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, e manter, pela sexta vez, o cinturão de campeão mundial dos superpenas pela Organização Mundial de Boxe (OMB). Soto foi à lona depois de receber um upper e um poderoso e bem colocado cruzado de direita. Alguns segundos antes do golpe fatal, Popó já havia acertado um cruzado de direita levando Soto ao chão pela primeira vez.

Com a vitória, além de manter o título de campeão mundial superpena pela OMB, Popó confirmou a sua invencibilidade como profissional - foi a sua 29ª vitória em 29 lutas - todas por nocaute - e a 15ª luta encerrada no primeiro assalto, um recorde no boxe sul-americano.

Agora, Popó se prepara para o maior desafio de sua vitoriosa carreira. Ainda no primeiro semestre deste ano, segundo confirmou seu empresário, Ruy Pontes, ele vai tentar a unificação dos cinturões, enfrentando o cubano Joel Casamayor, campeão pela Associação Mundial de Boxe, e o norte-americano Floyd Maywather, campeão do Conselho Mundial de Boxe e da Federação Internacional de Boxe.

A primeira dessas lutas - ainda não se sabe contra qual dos adversários - está pré-agendada para o mês de junho. Embora não conheça o estilo de seus adversários, Popó não se intimida. ''Não sei nada sobre o Casamayor, nem sobre o Floyd. Nem vídeos das suas lutas eu vi, mas a gente conhece o estilo de lutar dos cubanos. Qualquer que seja o adversário, estou preparado para vencer por nocaute'', garantiu um confiante Popó.

Depois da eventual unificação dos cinturões, Popó - que enfrenta grande dificuldade para manter o peso - planeja mudar de categoria, passando a lutar nos peso-leve, onde começou a sua carreira. ''Desde os 14 anos que eu tenho de perder peso antes das lutas. No começo era mais fácil porque eu não tinha o que comer. Hoje é mais complicado, porque não passo mais fome e a geladeira está sempre cheia'', disse, bem humorado.

Apesar do seu cartel invicto, Popó garante que está preparado para uma eventual derrota. ''Quando disputei o título mundial na França, em 1999, sabia que ganhando, começava tudo, perdendo, terminava tudo ali. A derrota na vida da gente é uma coisa muito delicada, mas estou preparado para ela. Mas eu sei que só quem pode me derrotar sou eu mesmo'', argumenta.

Consciente de que, assim como Gustavo Kuerten no tênis, ele é um ídolo do esporte brasileiro, Popó pretende transformar a Champion, sua academia de boxe em Salvador, num celeiro de novos lutadores vencedores e, mais do que isso, num exemplo para a juventude brasileira. ''Quero resgatar a imagem do boxe brasileiro, afastando a idéia de que é um esporte violento, uma coisa grosseira'', afirma. Na sua opinião, a melhor prova de que esse trabalho está dando certo foi vista na noite de sábado em Brasília. Nas nove lutas preliminares, participaram nove lutadores baianos, todos da sua academia. ''Todos eles ganharam por nocaute. São eles que me ajudam a ser um campeão mundial'', disse Popó.

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