Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2001
Felipe é herói alvinegro em Niterói

Atacante marca gol da vitória no jogo em que o Botafogo
jogou apenas o suficiente para derrotar o Volta Redonda

ROBERTO ASSAF

O gol marcado por Felipe aos 37min do primeiro tempo, e que deu ao Botafogo a vitória de 1 a 0 sobre o Volta Redonda, foi um prêmio ao extraordinário esforço deste jogador, que passou 18 meses brigando contra uma série de contusões. E o único momento de alegria para o torcedor que insistiu em ir ao Caio Martins, ontem à tarde, sob um calor de 40 graus.

Futebol, para valer, quase não houve. A partida teve 65 faltas. O juiz Reinaldo Barros distribui corretamente 10 cartões amarelos e um vermelho. E o sol torrou literalmente os jogadores, extraindo-lhes sem piedade o pouquinho de técnica que porventura algum deles tenha reservado para o confronto.

O Botafogo apresentou sempre maior volume de jogo, mas em nenhum outro momento - à exceção do gol - fez a arquibancada levantar. De esforço, o torcedor alvinegro não pode reclamar. O time levou o jogo a sério e procurou acertar. O que faltou, principalmente, foi lucidez - executar aquele lançamento que deixa o atacante na cara do goleiro, descobrir aquele espaço capaz de surpreender o adversário, pôr em prática o drible, o lance de improviso que torna o futebol um espetáculo.

No começo, o Botafogo partia para o ataque, mas esbarrava na indefinição de seus apoiadores - Reidner, Alexandre Gaúcho e Rodrigo não encontravam o posicionamento correto e confundiam Donizete e Felipe.

Na primeira meia hora, apenas duas jogadas foram dignas de registro. A primeira aos 10min, quando Rodrigo chutou para a zaga desviar a escanteio; e aos 31min, quando Róbson escorou cruzamento de Flavinho, cabeceando fora.

Aos 37min, Felipe recebeu próximo à meia-lua, e sem outra opção decidiu arriscar. A bola bateu em uma saliência do gramado e traiu Palmiéli, que pulou em vão. O gol deu mais tranqüilidade ao Botafogo, mas não fez o time jogar mais. Aos 38min, Damon, em boa virada, por pouco não empatou - a bola passou por cima do travessão.

O Botafogo voltou um pouco mais ofensivo para o segundo tempo. Felipe, cabeceou com perigo aos 6min, e Rodrigo obrigou o goleiro a praticar boa defesa, em cobrança de falta aos 7min.

Mas frustraram-se os que esperavam ver o Botafogo deslanchar após a expulsão do lateral Flavinho, aos 21min, por jogo violento. O time não soube explorar a deficiência que se apresentou pelo lado esquerdo do adversário, onde o improvisado apoiador Daniel Edgar tentava dar conta do recado. Lazaroni ainda tentou injetar mais ânimo, trocando Reidner, Rodrigo e Felipe, exaustos, mas os próprios jogadores, prudentes, preferiram tocar a bola, administrar enfim o resultado, e aguardar o apito final. Afinal, o 1 a 0 era o suficiente para garantir os três pontos. E um mínimo de tranqüilidade para a semana que se inicia.

Lazaroni pede mais paciência ao torcedor

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