Pesquisas de opinião não são a última palavra mas apenas indicativos periódicos das oscilações da preferência da sociedade. Num país em que o ato de votar é obrigatório para todos os cidadãos adultos e, opcionalmente, os jovens depois dos 16 anos, à medida que eleições se aproximam o interesse pela aceitação de candidatos aumenta. A semana que passou apresentou a governadora Roseana Sarney como o nome mais bem situado nas pesquisas pré-eleitorais, entre os cogitados nos três partidos que fazem parte do governo. Numa fase em que as alterações são mínimas, por serem apenas hipóteses, a governadora do Maranhão alcançou 20% das intenções de votos.
O inesperado feito foi atribuído à presença de Roseana Sarney no programa do PFL na televisão. Não demorou, porém, o efeito nos dois outros partidos da coligação que elegeu o presidente da República e compõe a administração federal. São as três maiores bancadas federais com presença destacada nos Estados e Municípios. A aliança acusou a surpresa e acentuou os pequenos desajustes nas relações entre eles, principalmente no que respeita à demora na definição política para a eleição presidencial de 2002. Nada, porém, tem peso de crise.
É certo que o episódio Roseana Sarney vai estimular o debate sobre possibilidades e dificuldades políticas da candidatura da aliança tripartite. O PSDB e o PMDB, que queriam tirar proveito do alongamento do processo de seleção, terão de mudar a cadência. A discussão está aberta e certamente será acelerada pela presença inédita de uma figura feminina como presença nacional na sucessão. Depois de firmar-se no Executivo, de chegar ao Congresso, a mulher brasileira chegou ao Supremo Tribunal Federal e agora marca presença nas pesquisas presidenciais. É a igualdade de direitos que sai da letra e cria fatos.