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Sadia descarta milho transgênico

Apesar de quebra da safra, empresa rejeita produto modificado para evitar restrições no mercado europeu

Neila Baldi

SÃO PAULO - A Sadia, maior exportadora de carne de frango do país, não recorrerá mais a milho ou soja geneticamente modificados para compor a ração de aves ou suínos utilizados para corte. Fontes da empresa admitiram, extra-oficialmente, que a intenção é não melindrar importadores europeus e asiáticos, tradicionalmente avessos aos transgênicos.

A seca que provocou quebra da safra de milho na região Sul do Brasil deverá forçar os frigoríficos a importar milho geneticamente modificado da Argentina, o parceiro comercial mais próximo e com preços mais competitivos. As empresas temem, no entanto, a repercussão do uso de transgênicos na ração. As indústrias solicitaram a importação ao governo, mas se apressam em afirmar que só vão utilizar o produto ''em último caso''.

- As grandes empresas têm uma política bem definida sobre a questão. O que pode ocorrer é os pequenos importarem e o produto ser consumido no mercado interno - afirma Glauco Carvalho, economista da MB Associados.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), Aristides Voip, diz que, neste caso, as indústrias terão que informar no rótulo que o animal pode ter consumido ração com milho transgênico, conforme a legislação brasileira.

- E, se algum importador exigir, teremos que segregar - afirma Voip.

Os gaúchos solicitaram autorização para importar 500 mil toneladas de milho; Santa Catarina e Paraná pretendem fazer o mesmo. Recentemente, Pernambuco importou 400 mil toneladas. O Ministério da Agricultura deve divulgar os procedimentos de compra na próxima semana.

O pedido é uma precaução caso falte produto no mercado interno devido à quebra de 3 milhões de toneladas no Sul. Ainda assim, as indústrias estão receosas com o uso de transgênicos. Representantes do setor dizem não temer danos à saúde humana ou animal, mas só vão comprar se for estritamente necessário. Eles não acreditam em represálias dos importadores.

- Não existe mercado fazendo a exigência de não-transgênico - diz Claudio Martins, da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef).

- A importação de milho só ocorrerá se o governo não liberar seus estoques de 1,8 milhão de toneladas - diz Rogério Kerber, do Sindicato da Indústria de Suínos do Rio Grande do Sul. No Paraná, a importação só será necessária se houver quebra na segunda safra de milho.


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[22/ABR/2005]


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