Nesses últimos tempos, turbulentos para a economia e para a política, não só aqui no Brasil, mas em todo o mundo, percebe-se que os avanços em relação ao encontro e identificação de soluções relacionadas ao aspecto de geração de emprego ficam ainda adstritos aos intermináveis fóruns e debates. Sempre remetem às insuportáveis atas e tratados de inúmeras páginas e nenhuma concretização.
Uma questão é levantada: é importante o debate? Sem sombra de dúvidas, sim. Entretanto, onde não há ação, onde não há intervenção positiva, o debate acaba por se tornar um enfadonho “conto de fadas”. Fica-se sempre com a sensação que muito se fala e pouco se faz. Neste cenário, surge o sistema cooperativista como forma de aliar prática à teoria.
Tal sistema, porém, no que diz respeito ao nosso país, encontra-se em uma encruzilhada. O caminho a ser escolhido irá definir os rumos que esse tipo de empreendimento, de caráter social e econômico, poderá tomar, sem os percalços atuais.
É importante lembrar que o maior obstáculo hoje enfrentado pelo cooperativismo no país é cultural. É o que faz com que muitos profissionais acabem por achar que o sistema é o último bastião na interminável luta contra a desgastada relação capital-trabalho. Ora, como um sistema que prevê a interação do ser humano, através da constituição de uma sociedade participativa, a cooperativa propõe uma alternativa de realização de empreendimentos que são, em sua essência, econômicos.
Dessa maneira, mantém-se a relação capital-trabalho. Com o diferencial de que, nesta relação, quem colhe os frutos originados pelos empreendedores são eles próprios. O cooperativismo não dá a seus participantes apenas a oportunidade de trabalho. Fornece rendimentos equiparados ou até mais elevados do que o mercado financeiro, créditos mais acessíveis para investimentos nas mais diversas áreas e outros tantos benefícios que o poder público deveria oferecer, mas não tem condições de proporcionar.
Nessa perspectiva, podemos entender que o cooperativismo é um sistema dentro do sistema, como um Estado Privado de interesses lícitos, regrado legitimamente pela nossa Constituição. Todo e qualquer aprendizado sobre sociedade, participação, decisão cooperada, benefício comum, bem maior, exercício político, desenvolvimento econômico-social e tantos princípios que observamos nos movimentos circulares da história da humanidade encontra-se condensado e transparente dentro do sistema cooperativo. Independentemente de uma lei, o sistema rege-se pelo princípio natural da sobrevivência. Inclusive o biológico, antes ainda do social.
Nessa visão, as tendências do cooperativismo, caso tenhamos coragem de encará-lo como uma grande e instigante opção de realização empreendedora, serão as de suplantar as adversidades que as atuais relações econômico-sociais geram. Crises, debates, interesses ou posições antagônicas sempre irão existir. O que precisamos é definir se acatamos de vez o princípio de que o sistema cooperativista está aí, pulsante e gerando uma participação expressiva no PIB, gerando oportunidades de resgate social, ou se vamos deixar o rio correr, para ver o que a correnteza nos reserva adiante.
*Daniel Augusto Maddalena é consultor especializado em cooperativismo