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DirecTV e Sky juntas no país

Grupos de TV paga via satélite anunciam consolidação de operações latinas

Aimee Picchi e Michael White

Da Bloomberg News

NOVA YORK - A DirecTV Group, maior prestadora de serviços de TV via satélite dos Estados Unidos controlada pelo magnata das comunicações Rupert Murdoch, informou ontem que vai gastar US$ 579 milhões para consolidar suas operações no Brasil, México, Colômbia e Chile. O grupo passará a vender, no Brasil e México, seus serviços com a marca da antiga rival Sky, de propriedade da News Corp, também controlada por Murdoch. Já os clientes da Sky de Chile, Colômbia e outros países serão transferidos para a DirecTV.

A DirecTV comprará as participações da News Corp e da Liberty Media na Sky Brasil e na Sky México. O grupo também vai adquirir as participações da Globo, da Televisa, da News Corp e da Liberty na Sky Multi-Country Partners, que comercializa serviços de TV por satélite na Colômbia e no Chile, informou a empresa.

A DirecTV também acertou com a News Corp e a Globo a fusão da DirecTV Brasil com a Sky Brasil, transação que depende da aprovação das autoridades reguladoras do governo brasileiro. Pelos termos do negócio, a DirecTV receberá 30% da ações da Sky Brasil em troca de sua lista de assinantes, que somadas às outras aquisições elevarão sua participação na empresa a 72%. Os 28% restantes ficarão com a atual sócia na Sky Brasil, a Globopar.

A união da DirecTV com a Sky, atualmente as maiores empresas de TV por assinatura via satélite da América Latina, vai aumentar muito o potencial de lucro de ambas, afirmou em relatório o analista Rich Greenfield, da Fulcrum Global Partners. Os investidores, no entanto, ainda precisarão esperar para ver os resultados, apontou outro especialista.

- Vai demorar um pouco para a combinação realmente começar a funcionar, mas quando isso acontecer, creio que as operações latino-americanas serão um bom e lucrativo negócio para a DirecTV - disse William Jacobs, analista da Harris Associates.

A fusão das operações dos dois grupos, porém, ainda está sujeita à aprovação das autoridades reguladoras dos vários países, pois as empresas que dela resultarão não enfrentarão competidores com o mesmo alcance nacional em marketing e serviços. Na caso brasileiro, as empresas, que têm juntas 95% do mercado de TV por assinatura via satélite no país, já acataram determinação de março do Conselho Administrativo de Defesa Econômica de manterem seus negócios separados até o julgamento definitivo do processo e assinaram termo de reversibilidade da operação para o caso dela não ser aprovada. A perspectiva dos analistas, porém, é de que a América Latina não tem mercado suficiente para dois serviços de satélite concorrentes.

- O mercado não pode sustentar dois serviços via satélite separados na América Latina, mas deve ser capaz de sustentar um, que deverá ser lucrativo - argumentou Jacobs.

Além dos gastos com a aquisição das participações, a DirecTV deverá despender um total de US$ 200 milhões com a transferência dos assinantes de um serviço para outro e com um satélite cuja utilização não será mais necessária. Juntas, as operações latino-americanas dos dois grupos têm 3,4 milhões de assinantes e o objetivo é alcançar 5 milhões num período de três a quatro anos, afirmou Chase Carey, principal executivo da DirecTV. No fim de junho passado, a DirecTV tinha 423 mil assinantes no Brasil, enquanto a Sky Brasil tinha 806 mil assinantes.

Os negócios resultantes da operação serão controlados pela subsidiária da DirecTV para a América Latina, que entrou em concordata em março do ano passado, processo do qual emergiu em fevereiro último.


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[12/OUT/2004]


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