Toda semana, as aposentadas Maria Nacionilde Sá, de 60 anos, e Maria do Carmo da Silva, 62, que são vizinhas, vão às Centrais de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa) para tentar ganhar uma sacola com gêneros alimentícios distribuída por meio do programa Desperdício Zero, que destina sobras dos produtos comercializados na central a famílias carentes.
Como não são cadastradas no programa, chegam cedo para pegar um bom lugar na fila das sacolas que costumam sobrar.
- Chego aqui quase de madrugada para conseguir os alimentos. Quando não consigo, vou nas bancas pedir alguma coisa - conta Maria do Carmo, que era empregada doméstica antes de se aposentar.
De onde moram, em Santa Cruz, até Irajá, onde fica a Ceasa, levam duas horas. Mas vale a pena. O esforço garante às duas uma economia de cerca de R$ 12 por semana com a sacola de frutas, legumes e verduras que conseguem lá.
Maria Nacionilde, que complementa a renda de aposentada trabalhando duas vezes por semana como babá por R$ 150 mensais, reserva R$ 116 para as compras. Já Maria do Carmo gasta apenas R$ 60 por mês no mercado e acha que o que consegue na Ceasa é imprescindível para completar a alimentação da família.
Maria Nacionilde conta também que, quando consegue mais alimentos do que precisa ou consegue carregar, divide sua parte com os que conseguiram menos.
- A gente tem que se ajudar, não é?
Marcela Canavarro