O fantasma do desabastecimento, que rondou tantos planos de estabilização econômica em outros anos, foi definitivamente afastado pela desvalorização cambial. Com o real mais fraco, em apenas cinco anos o Brasil deixou de ser um importador de alimentos como trigo e arroz para se tornar um dos maiores exportadores de alimentos do planeta.
- O setor agrícola está fazendo a sua parte. O Brasil hoje é competitivo - afirma a professora Ignez Vidigal Lopes, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).
De fato, a safra agrícola cresceu 106%, de 57 milhões de toneladas em 1990/91, para 119 milhões de toneladas em 2003/2004. Isso se deu, principalmente, com aumento de produtividade, propiciado pelo real fraco e pelos avanços tecnológicos. A área total cultivada cresceu no mesmo período apenas 24%, de 37,8 milhões de hectares para 46,9 milhões de hectares. Com a revolução verde, as exportações agrícolas saltaram de US$ 20,6 bilhões em 2000 para US$ 35,5 bilhões este ano, só de janeiro a julho.
A economista reconhece que a população mais pobre não tem acesso aos alimentos produzidos, mas culpa a insuficiência de renda.
- Estamos sem crescimento econômico há quase uma década. Com a desvalorização cambial, em 1999, o setor ganhou um grande impulso, mas a renda real caiu, ficamos todos mais pobres - avalia.