Governo quer inserir no mercado de trabalho 70 mil jovens até o fim do ano, mas conseguiu lugar para apenas 1,3 mil
BRASÍLIA -
Nove meses depois de entrar efetivamente em funcionamento, o programa Primeiro Emprego ainda não conseguiu deslanchar. Da meta de criar 70 mil empregos para jovens carentes até o fim do ano, o governo criou apenas 1.308. As empresas conveniadas ao programa ofereceram 5,4 mil vagas, mas muitas vezes não é fácil encontrar entre os jovens credenciados quem se encaixe nas atribuições necessárias, explica o secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, Alencar Ferreira.
O secretário acredita que os resultados do programa apresentarão considerável melhora graças às alterações feitas por medida provisória, aprovada há duas semanas, para corrigir problemas identificados.
- Não dá para falar que o programa não deslanchou. Ele não é algo emergencial, será uma política permanente do governo Luiz Inácio Lula da Silva - diz Ferreira.
As cobranças em torno da criação de vagas são grandes. Afinal, em junho do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou com grande pompa no Palácio do Planalto o envio do projeto de lei ao Congresso. A grande festa - que contou até com a presença do Olodum Mirim - deixou a impressão de que o retorno viria rápido. A sanção do projeto, no entanto, só ocorreu em 23 de outubro de 2003, atrasando o início da operacionalização do Primei ro Emprego. O orçamento deste ano para o programa é de R$ 188 milhões.
O professor da Unicamp, Claudio Dedecca, especialista em mercado de trabalho, está pessimista com o futuro do Primeiro Emprego. Para ele, a possibilidade de êxito do programa é bastante limitada. Segundo Dedecca, seria muito mais interessante o governo implementar um programa de geração de empregos para jovens vinculados a políticas públicas.
- Não tenho simpatia por este programa. A empresa só vai contratar pessoas se realmente precisar, e nem sempre o jovem do primeiro emprego se enquadra no perfil que a empresa procura - afirma.
O secretário-executivo Alencar Ferreira explica que o Primeiro Emprego não está relacionado apenas a parcerias com empresas privadas para captação de vagas. O programa inclui qualificação profissional de jovens, incentivo ao empreendedorismo juvenil por meio de liberação de R$ 100 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Segundo o secretário, o governo vem fechando parceria com ministérios para facilitar a contratação de jovens. Em setembro, por meio de um trabalho conjunto entre os ministérios do Trabalho, Educação e Esporte, e da Unesco, será iniciado um projeto piloto nas cidades de Vitória, Belo Horizonte e Recife para abertura das escolas nos fins de semana.
Mesmo com a expectativa de melhora por parte do governo, o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador está avaliando todos os programas financiados pelo FAT. A idéia é reformatar programas como o Primeiro Emprego, que segundo um dos integrantes do Conselho, Canindé Pegado, não está funcionando.