Número de milionários brasileiros atingiu 80 mil, com fortuna total de US$ 1,75 trilhão, três vezes o PIB
Dinheiro chama dinheiro, e bastaram a recuperação dos mercados acionários e o início da retomada das economias dos Estados Unidos e da Ásia no ano passado para comprovar o velho ditado. O número de milionários no mundo aumentou em 500 mil pessoas, ou 7,5%, de 2002 para 2003, totalizando 7,7 milhões. Já suas fortunas cresceram 7,7%, ou US$ 2,1 trilhões, para US$ 28,8 trilhões na mesma comparação, mostra relatório produzido pela Merrill Lynch e pela consultoria Capgemini divulgado ontem.
No Brasil, o avanço no número de ricos também foi significativo, alimentado ainda pela queda do dólar. Segundo o relatório, em 2003 o país tinha 80 mil pessoas com investimentos financeiros no valor de mais de US$ 1 milhão, 5 mil a mais do que no ano anterior. A fortuna desses brasileiros, menos de 0,05% da população, alcançou US$ 1,75 trilhão no ano passado, mais de três vezes o Produto Interno Bruto - soma de todas as riquezas produzidas no país em um ano -, de cerca de US$ 500 bilhões em valores nominais.
O estudo mostra ainda a alta tendência de concentração da riqueza na América Latina. Enquanto os super-ricos - pessoas com investimentos financeiros de mais de US$ 30 milhões - respondem por 0,9% de todos os milionários do mundo (70 mil pessoas), na América Latina eles são 2,4% dos ricos, o dobro da proporção registrada na América do Norte (1,2%) e três vezes a da Europa (0,8%). No total, a região fechou o ano passado com 270 mil milionários, que detinham fortuna conjunta de US$ 3,647 trilhões, contra 201 mil e US$ 3,565 trilhões no ano anterior.
''A América Latina continua a ser o resumo da polarização da riqueza entre ricos e pobres: os milionários latino-americanos têm a maior fortuna média entre todas as grandes regiões'', acrescenta o documento.
A alta das bolsas americanas após três anos seguidos de perdas e o programa de corte de impostos do presidente George Bush - que os críticos dizem ter beneficiado principalmente os mais abastados - levaram os EUA a apresentar o maior crescimento no número de milionários no ano passado entre todos os países pesquisados. De acordo com o relatório, os EUA terminaram 2003 com 2,272 milhões de ricos, com fortuna total de US$ 8,5 trilhões. Em ambos os casos, o avanço foi de 14% frente ao ano anterior, com cerca de um em cada 130 americanos com investimentos de mais de US$ 1 milhão. Outro desempenho significativo foi o da China, cuja economia tem crescido a uma média de quase 10% ao ano. Apesar do regime comunista, o número de milionários chineses avançou 12%, para 236 mil no ano passado.
O repique das bolsas também mudou o perfil de investimento dos ricos. Em 2002, as carteiras de ações representavam, em média, 20% de suas fortunas. No ano passado, essa fatia subiu para 35%. Enquanto isso, as aplicações em renda fixa caíram de 30% para 25%. Também foi observado aumento nos investimentos chamados alternativos, que, além de instrumentos financeiros pouco comuns, incluem obras de arte, coleções e vinhos. A fatia da fortuna alocada nessas aplicações foi de 10% para 13%.
E a riqueza dos milionários do mundo deverá continuar a atrair mais dinheiro para seus bolsos. A estimativa da Merrill Lynch e da Capgemini é de que suas fortunas alcancem total de US$ 40,7 trilhões em 2008, num crescimento médio de 7% ao ano.