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''País tem desigualdade extrema de oportunidade''

Professor do Ibmec defende educação fundamental

A política econômica do governo está no caminho certo para combater a desigualdade no país. A análise é do economista Eduardo Andrade, professor do Ibmec.

- As pessoas batem muito na política macroeconômica do governo, dizem que é recessiva, tem taxas de juros elevadas, mas eu queria focar num ponto central: o combate à inflação. E o impacto que o combate à inflação pode ter sobre a desigualdade social - defende o economista.

Ele lembra que a desigualdade no Brasil se manteve inalterada nos últimos 30 anos ou 40 anos, mas destaca que ela é sensível à inflação.

- Nos períodos em que houve uma aceleração da inflação, conseguiu-se registrar uma piora da distribuição de renda. E quando houve uma queda acelerada da inflação, consegui-se registrar alguma melhora na distribuição de renda - diz Andrade.

Mas o professor também pondera que a política econômica tem impacto negativo sobre o emprego e a renda e acredita que para gerar os 10 milhões de empregos prometidos pelo governo é importante realizar a reforma trabalhista, para tornar a contratação mais barata e reduzir os custos da demissão.

O mais grave, segundo ele, é o fato de o salário recebido pelo trabalhador custar o dobro às empresas, por causa dos encargos trabalhistas. A única solução, aponta, é permitir que trabalhadores e empregados negociem as regras do contrato.

- O mercado de trabalho brasileiro é muito engessado. E tem coisas ridículas, como, por exemplo, os tíquetes alimentação. É ridículo que uma parte dos salários dos brasileiro seja paga em papel, o que poderia ser substituído por dinheiro de forma menos custosa para as empresas.

Andrade também trouxe para a discussão a questão da desigualdade de oportunidades, a mobilidade social, temas que, segundo ele, deviam receber mais atenção do que a distribuição de renda pura e simples.

- O Brasil, ao contrário do que muitos acreditam, é um país com uma extrema desigualdade de oportunidades e com uma mobilidade muito pequena, inclusive quando comparado aos EUA e a países da América Latina.

Por isso, o economista acredita que o foco da discussão das políticas sociais do país deveria romper essa desigualdade, fazendo com que a renda do pai deixe de ser determinante para renda do filho, como ocorre hoje.

O caminho para romper esse ciclo vicioso, diz, é manter a ênfase no ensino médio e fundamental, com melhoria da qualidade, e aumentar o investimento em creches, uma forma de igualar oportunidades o mais cedo possível. Andrade admite que, num primeiro momento, a política social voltada para igualdade de oportunidades pode até piorar a distribuição do país.

- Mas isso permitiria que a renda da pessoa não seja diretamente relacionada a de seu pai. Depois, num momento posterior, a distribuição de renda certamente melhoraria - considera.


[08/FEV/2004]


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