Havaianas: artigo de luxo em Londres

Sandália brasileira chega à Europa custando quase R$ 500

Divulgação

Grifes como a Urban Outfitters oferecem o produto brasileiro

LONDRES - As sandálias havaianas são coisa fina. Pelo menos, na Europa, onde chegam a ser vendidas por cerca de 100 libras (R$ 478). Estilistas britânicos decoram as tiras dos chinelos fashion de borracha com pedras, cristais e miçangas. Apesar do alto preço cobrado pelos estilistas, é possível encontrar Havaianas mais baratas em Londres; ainda assim, o valor médio de 20 libras (R$ 96) cobrado pelas sandálias em lojas como a Urban Outfitters e a Whistles é, no mínimo, dez vezes superior ao encontrado no Brasil.

- Elas são caras, mas não vendem sem parar. É o item de maior sucesso deste verão - disse Ali Inett, gerente da Whistles de Covent Garden, no Centro de Londres, à BBC.

O sucesso das legítimas é tanto que fábricas na Argentina e na África já começaram a copiar as sandálias, de olho num mercado que não pára de crescer. Desde 2001, as exportações da sandália têm dobrado a cada ano. Em 2003, a meta é exportar 5 milhões de pares; no ano que vem, as vendas no exterior devem chegar perto de 10 milhões.

- Poderíamos estar exportando muito mais. Mas queremos manter as sandálias como um produto de elite no momento para, posteriormente, começar a vender para a classe média - disse Carlos Roza, gerente de exportações da São Paulo Alpargatas, que fabrica as Havaianas há 41 anos. - Como ainda não estamos explorando esse segmento, acaba sobrando espaço para ação dos piratas. Nosso departamento jurídico está tendo trabalho com isso. É o preço da nossa fama.

O sucesso virou tema de reportagens nas principais revistas e jornais do mundo. Para o New York Times, as Havaianas são a última palavra da moda para os pés. O Le Monde, da França, estampou na manchete que o calçado das favelas brasileiras conquistou as vítimas da moda. Até o principal jornal de economia do Reino Unido, o Financial Times, se rendeu aos chinelos de borracha: ''A sandália de quem tem muito dinheiro e nada para provar'', definiu o jornal.

[14/JUN/2003]

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