Crédito no Brasil está longe do 1º mundo

Embora o futuro governo disponha de pouco espaço para promover a transição do atual modelo econômico, baseado em juros altos, para outro mais civilizado, pautado por produção e geração de empregos, a tendência é de a armadilha dos juros começar a ser desarmada a partir de 2004.

O analista da ABM Consulting Fernando Coelho afirma que, com taxas mais baixas, os bancos terão que necessariamente migrar as aplicações atuais, majoritariamente em operações de tesouraria - títulos públicos e contratos de swap -, para operações de crédito e prestação de serviços, hoje limitados a 28% do Produto Interno Bruto brasileiro.

Segundo Carvalho, os bancos que conseguirem promover a transição da melhor forma poderão manter nas operações de crédito, se não os atuais ganhos das operações com juros, pelo menos um patamar parecido com o atual.

- Os bancos poderão obter ganhos com a ampliação da carteira de crédito, hoje muito restrita, o que compensará, em parte, a redução dos ganhos com a remuneração dos papéis de dívida - justifica o analista da ABM.

Este ano, os bancos deverão fechar com uma proporção de 15% de sua receita proveniente de prestação de serviços. Em 1994, essa fatia limitava-se a 7% e vem crescendo de forma gradativa, embora ainda longe de um patamar comparável ao de países desenvolvidos e mesmo de outros emergentes, como México e Chile.

- Pelo menos isso demonstra que os bancos, de alguma forma, já estão se adaptando a essa nova realidade que começa a se delinear no país, a partir dessas eleições - avalia Carvalho.

[20/OUT/2002]

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