Onda de crimes na Argentina

Crise econômica fez o número de delitos crescer 140% no país entre 1991 e 2001

Cesar Baima

Os quatro anos consecutivos de recessão e o agravamento da crise econômica nos últimos meses estão fazendo explodir os índices de criminalidade na Argentina. Seqüestros, assaltos e uma onda de outros crimes assustam os moradores da antes tranqüila capital do país. Prova desse aumento da violência está num levantamento realizado por Eduardo Ovalles, do Centro de Estudos Nueva Mayoría, obtido com exclusividade pelo Jornal do Brasil. Na pesquisa, Ovalles revela que a quantidade de delitos cresceu 140% no país entre 1991 e 2001. O número de crimes registrados pulou de 489 mil em 1991 para quase 1,2 milhão em 2001.

No ano passado, 42% dos crimes ocorreram na província de Buenos Aires e na capital federal. Dois em cada três (66%) estão na categoria de delitos contra a propriedade - assaltos, tentativas de assaltos, furtos e tentativas de furto. Já os crimes contra a pessoa (homicídios, tentativas de homicídio, lesões corporais e acidentes de trânsito) somaram 18% do total de 2001.

Para este ano, a expectativa é de que ocorram ainda mais delitos no país. Entrarão na contabilidade casos como o seqüestro e assassinato do jovem Diego Peralta. Vítima mais recente foi Jorge Milito, pai dos jogadores de futebol argentinos Diego e Gabriel Milito, do Racing e do Independiente, respectivamente. Levado no mês passado, permaneceu quase 24 horas em poder dos seqüestradores, que o libertaram após o pagamento de um resgate cujo montante não foi revelado. Especula-se que deve ter ficado acima de US$ 100 mil. ''O país está em chamas'', resumiu após recobrar a liberdade.

O crime que atingiu a família Milito despertou uma onda de insegurança entre os jogadores de futebol do país. Por puro medo de seqüestro, o meia Eduardo Coudet trocou sua potente caminhonete por um discreto Fiat 147 e pediu aos diretores do River Plate que o negociem rapidamente para o exterior. Como Milito, também foi libertado no mês passado Juan Pablo Ansechi, filho de um empresário com investimentos no setor de construção. ''Esperamos que as autoridades façam algo. Nós não podemos sofrer com isso, enquanto os políticos só pensam nas prévias (das eleições presidenciais) e em assumir o poder'', reclamou Liliana Ansechi, mãe de Juan Pablo.

[09/SET/2002]

   Home > economia
Primeira Página