Ministro dá toques finais no passe de mágica para tentar tirar Argentina da crise
BUENOS AIRES -
Às vésperas do Dia das Bruxas, o ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, dava os acertos finais em seu último truque de mágica para tentar tirar o país da crise. Enquanto isso, o presidente Fernando de la Rúa se reunia com governadores das províncias argentinas controladas pela oposição peronista para tentar fechar um acordo sobre a coparticipação delas nos impostos federais. Já o chefe do Gabinete, Chrystian Colombo, ao mesmo tempo conversava com o mandatários provinciais da governista Aliança.
Até o fim da tarde, era grande a expectativa com relação ao prometido anúncio, à noite, das medidas do novo plano econômico de Cavallo. Segundo os jornais argentinos, entre elas estariam a redução de impostos e o refinanciamento das dívidas do setor privado com bancos para estimular o crescimento da economia, além da planejada reestruturação, ou calote negociado, da dívida pública, que ultrapassa os US$ 132 bilhões.
Novo adiamento - No início da noite, porém, começaram a circular informações dando conta de que o anúncio do pacote seria mais uma vez adiado. Isso porque De la Rúa não teria conseguido chegar a um denominador comum no encontro com os governadores quanto a um corte de 13% nos repasses mensais de US$ 1,364 bilhão. Em troca, a União se comprometeria a refinanciar US$ 8 bilhões do total de US$ 22 bilhões da dívida das províncias com os bancos locais. Todos governadores saíram da reunião sem dar declarações e se encontrariam com os mandatários da Aliança à noite para discutir a nova proposta da União para resolver o impasse.
A demora na divulgação do novo plano de Cavallo fez disparar mais uma vez o risco-Argentina, que ontem estabeleceu novo recorde histórico e terminou o dia a 2.136 pontos-base. Isso significa que, para compensar o risco de calote, os títulos argentinos devem pagar uma sobretaxa de 21,36% além da remuneração dos papéis do governo dos Estados Unidos, considerados os mais seguros do mundo. A Bolsa de Buenos Aires, porém, fechou em alta de 0,52%.
No Brasil, o mercado financeiro manteve as atenções voltadas para o esperado anúncio do pacote argentino. A expectativa positiva com relação à renegociação da dívida argentina acalmou o mercado de câmbio. Assim, o dólar fechou em queda de 0,88%, cotado a R$ 2,698. Desde 1° de outubro a moeda americana não encerrava o dia abaixo de R$ 2,70. Já a Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 3,09%.