Depois dos automóveis e eletrodomésticos, a crise econômica chegou ao vestuário. Pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo revelou que em setembro as vendas de bens semiduráveis (categoria composta principalmente por roupas e calçados) foram 18,8% menores do que as de agosto. Na comparação com igual mês do ano passado, a redução chegou a 22,18%.
Foi o setor com maior queda da pesquisa. No geral, as vendas de todos os setores recuaram 1,19% em relação a agosto e 11,82% frente ao resultado de 2000. De acordo com a Federação, esses números mostram que o desemprego e a renda comprimida está levando os consumidores a concentrar as compras nos produtos essenciais. Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que só no mês agosto o salário médio real do brasileiro encolheu 4,6%.
Comida e remédio - Como conseqüência, o melhor desempenho ficou com os bens de consumo não-duráveis - leia-se alimentos, bebidas e remédios - e materiais de construção. Esses setores acabaram recebendo parte do dinheiro que deixou de ser gasto em itens mais caros, geralmente, pagos em parcelas. Os supermercados faturaram 2,93% mais do que em agosto e as farmácias, 6,66%.
Já os duráveis, categoria dos automóveis e eletrodomésticos, sentiram o efeito das promoções e cresceram 0,34% em relação a agosto. Mas na comparação com o igual mês do ano passado, tiveram perda de 14,36%. As vendas de automóveis voltaram a cair: 1,66%.
O avanço da crise no setor de roupas e calçados não é um fenômeno restrito a São Paulo. ''Esses números ficam muito próximos do que estamos percebendo no Rio'', disse o secretário-geral da Associação dos Lojistas de Shoppings do Rio de Janeiro (Aloserj), Gilberto Catran.
Segundo ele, o vestuário representa 50% dos produtos dos shoppings, que tiveram uma perda total de 16% nas vendas em setembro em relação a 2000. ''Estamos fechando os números de outubro, mas tudo indica que vão apontar novas perdas'', afirmou. Para Catran, as vendas estão sendo afetadas pela insegurança dos consumidores. ''Não é nem tanto a perda, mas o medo. Sem saber se vão conseguir manter o emprego, as pessoas fogem do crediário, das prestações''.
O coordenador de pesquisa do Instituto Fecomércio-RJ, Paulo Brück, tem opinião semelhante. ''Setembro foi o mês do atentado, da guerra. Ninguém sabia o que ia acontecer'', lembrou. Dados da pesquisa de vendas do Instituto Fecomércio-RJ, realizada com lojistas, mostram que setor de calçados teve o pior desempenho de setembro: 86,33% dos entrevistados perceberam queda nas vendas. Nos caso das roupas, esse percentual ficou em 71,8%.