Empresas apostam R$ 22 bilhões no interior do Estado e na Baixada Fluminense, gerando milhares de empregos
Nos últimos meses, o Estado do Rio de Janeiro conseguiu conquistar importantes investimentos que prometem gerar milhares de empregos e puxar o desenvolvimento da região. Empresas estão se instalando no interior do Estado e também em torno da capital. Apenas em Piraí, a 77 quilômetros do Rio, na beira da Via Dutra (que liga o Rio a São Paulo), estão sendo instaladas seis indústrias, gerando 3 mil empregos diretos.
De acordo com estatísticas da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio (Codin), o Rio está recebendo investimentos de R$ 22,879 bilhões, que começaram a ser feitos em 1995. São grupos do setor naval, termelétricas, indústrias de cerveja, de sucos de frutas, laboratórios farmacêuticos e uma dezenas de outros negócios.
Noiva - ''Somos uma noiva que está apenas começando a desabrochar e atrair interessados'', avalia o coordenador das Ações Federativas no Rio, ex-ministro Raphael de Almeida Magalhães, ligado à Presidência da República. Almeida Magalhães trabalhou intensamente nos principais projetos que estiveram em curso nos últimos anos no Rio, como o Porto de Sepetiba e o Pólo Gás-Químico, que está começando a ser construído em Duque de Caxias.
Petroquímica - São projetos que começaram a ser ''plantados'' há alguns anos e agora estão amadurecendo. O Pólo Gás-Químico, por exemplo, estava em discussão ainda em 1989. Mas agora saiu do papel, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social de US$ 680 milhões. O valor total do projeto total é de US$ 1 bilhão e o pólo deverá estar pronto dentro de 40 meses, gerando cerca de 5 mil empregos na construção.
O presidente da Unipar, Roberto Garcia, que é a principal investidora do projeto, explica que 30% da produção futura já está acertada para ser exportada em 2004 para o grupo americano Vinmar. Esse grupo irá comprar 150 mil toneladas de polietileno, matéria-prima para embalagens, o que irá garantir uma receita de US$ 120 milhões por ano para o país. Em torno do Pólo Gás-Químico deverão surgir vários outros negócios. Como empresas de embalagem, por exemplo.
O interior - principalmente a região próxima da Via Dutra - é a região mais procurada para investimentos. Na esteira de um dos maiores projetos fluminenses dos últimos anos, a fábrica de caminhões da Volkswagen, em Resende, será inaugurado na cidade, ainda este mês, uma grande área para armazenar e distribuir produtos da Zona Franca de Manaus. Foi construído um entreposto com 5 mil m2, mas até janeiro já serão 30 mil m2. Vão se instalar lá, aproveitando a isenção de vários impostos,
a fabricante de cartas Copag; a Videolar, que produz DVDs; e ainda poderão chegar também a Brastemp, Xerox e Gilette. Não é por acaso.
Localização - ''Saindo do Rio, no raio de 500 Km, concentra-se 70% da economia brasileira'', lembra Maurício Chacur, diretor-presidente da Codin. Só para dar uma idéia do interesse pelo Rio, a direção da Codin tem recebido, em média, quatro grupos por semana interessados em saber das condições para se instalar no Estado. Esse ano já foram feitas 160 consultas até outubro. Se for mantida a performance, a tendência é ultrapassar o total de 184 feitas no ano passado. Em 1995, foram apenas 66 consultas.
''A pior fase econômica do Estado do Rio, que começou com a mudança da capital para Brasília, em 1960, ficou para trás. Hoje, com uma ação bem coordenada estamos conquistando investimentos que poderiam estar em outros Estados. É apenas o início diante de um intenso boom de investimentos'', previu ontem o governador Anthony Garotinho. Ele lembrou que a taxa média de crescimento industrial do Rio tem sido superior ao do país e que o desemprego é bem inferior ao das outras principais regiões metropolitanas. De acordo com o IBGE, em 1999, por exemplo, o índice acumulado da produção industrial brasileira foi de -0,65%, enquanto o Rio cresceu 6,06%.